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"A orquestra é nossa, a orquestra é nossa!"

Orquestra Sinfônica de Campinas concerto música Câmara MunicipalOs músicos da Sinfônica de Campinas lavaram a alma na noite de sexta-feira, 15 de dezembro, no plenário lotado da Câmara Municipal, na comemoração dos 220 anos do Legislativo municipal. Foram aplaudidos de pé várias vezes e por vários minutos e, após dois bis, o concerto terminou aos gritos do público de "a orquestra é nossa, a orquestra é nossa".

Foi um fecho surpreendentemente feliz para uma semana que começou muito tensa para os músicos e para todos que gostam da orquestra por conta de uma postagem estapafúrdia do vereador Paulo Galtério (PSB) no último domingo (10) no Facebook. No post, o edil interpretava erroneamente números sobre os rendimentos do grupo, que lhe foram enviados pela Secretaria Municipal de Recursos Humanos, e acusava músicos de receberem salários muito acima do teto municipal (que é o salário do prefeito, de R$ 23.246,08). No dia seguinte, o vereador chegou a insinuar que a orquestra é um luxo caro e desnecessário para uma cidade com tantos problemas como Campinas e circulou a notícia de que ele iria apresentar um projeto de lei determinando a extinção da orquestra.

A reação indignada veio rápida, nos mundos virtual e real, tanto por parte da orquestra como por parte da Secretaria de Cultura e dos campineiros que consideram a Sinfônica como patrimônio da cidade. Na quarta-feira (13), na última sessão do ano da Câmara, que contou com a presença do maestro Victor Hugo Toro e de muitos músicos da Sinfônica, o vereador Gustavo Petta (PCdoB) criticou as colocações do colega e anunciou que iria propor ao Condepacc (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas) que a orquestra seja considerada patrimônio imaterial da cidade, o que de fato fez no dia seguinte.

O concerto já estava agendado anteriormente e veio bem a calhar pra enterrar de vez essa polêmica estúpida e desnecessária. Os 78 instrumentistas da Sinfônica de Campinas são todos servidores públicos municipais concursados e com estabilidade. Seus salários não podem ser reduzidos. Se a orquestra, que é um departamento da Secretaria de Cultura, fosse extinta, eles continuariam recebendo seus salários, que variam de R$ 5 mil a R$ 13 mil, sem tocar. Ou seja, não haveria qualquer economia aos cofres municipais e perderíamos o mais importante conjunto musical do interior de São Paulo.

O presidente da Câmara, Rafa Zimbaldi (PP), deu as boas vindas à orquestra e ao público e disse aos músicos que a Sinfônica de Campinas sempre poderá contar com o apoio da grande maioria da Câmara Municipal. Além dele, foram anunciadas as presenças apenas dos vereadores Jorge da Farmácia (PSDB) e Professor Alberto (PR). Mais tarde, eu vi chegando os vereadores Ailton da Farmácia (PSD) e Pastor Elias Azevedo (PSB). Paulo Galtério não compareceu.

Orquestra Sinfônica de Campinas concerto música Câmara MunicipalEnfim, falemos do concerto, que começou ao som do Hino Nacional Brasileiro, de Francisco Manuel da Silva e Joaquim Osório Duque Estrada, cantado por todos os presentes, seguido do Hino de Campinas ("Progresso"), de Antonio Carlos Gomes, cantado parcialmente apenas por mim e, provavelmente, pela dona Léa Ziggiatti Monteiro.

Em seguida, o maestro Victor Hugo Toro passou a palavra ao secretário municipal de Cultura, Ney Carrasco. Ney comentou que nunca falou em concertos da orquestra nestes cinco anos, mas decidiu falar pra agradecer a parceria com a Câmara Municipal, o apoio de muitos vereadores e da população à orquestra e reforçar que a orquestra é um patrimônio da cidade.

A Sinfônica tocou então, como bem definiu o maestro, o hino de fato de Campinas, que é a Protofonia da ópera "O Guarani", de Carlos Gomes, que todo brasileiro conhece em virtude de ser há décadas o tema do famigerado programa de rádio obrigatório "A Voz do Brasil".

O maestro então anunciou que teríamos uma gala lírica, com árias famosas de óperas interpretadas por jovens cantores do projeto "Ópera Studio" e "outra importante instituição de Campinas, que é a Unicamp".

Após uma breve explicação sobre o enredo da ópera feita pelo maestro, ouvimos a soprano Isabela Dumalakas cantar "Quando Me'n Vo", de "La Bohéme", de Giácomo Puccini, seguida pela mezzo-soprano Ana Maria Mendes interpretando "Voi Che Sapete", de "As Bodas de Fígaro", de Wolfgang Amadeus Mozart.

Em seguida, Toro anunciou que tocariam o belíssimo "Intermezzo" da "Cavalleria Rusticana", de Pietro Mascagni, uma das peças que no dia 15 de novembro de 1929 fez parte do primeiro concerto da então Sociedade Symphônica Campineira, que deu origem à Sinfônica de Campinas, "uma das mais antigas orquestras brasileiras ainda em atividade".

O barítono Willian Donizetti cantou então "Sospettano di me... Sogni d'amor", de "Lo Schiavo", de Carlos Gomes, e a orquestra tocou a divertida "Sylvia, Pizzicati", de Léo Delibes, em seguida.

Willian Donizetti, o tenor Tiago Roscani, a soprano Raíssa Amaral e a mezzo-soprano Ana Maria Mendes voltaram ao palco e interpretaram o quarteto "Un di, seben rammentomi", da ópera "Rigoletto", de Verdi, depois do maestro explicar qual a história de confusões amorosas descrita na peça.

A orquestra tocou então uma linda valsa que todos conheciam, mas poucos, inclusive eu, sabiam o nome: "Sobre Las Olas", do mexicano Juventino Rosas. Deu vontade de dançar...

Orquestra Sinfônica de Campinas concerto música Câmara MunicipalA soprano Raíssa Amaral cantou então, muito bem, "Sempre Libera", de La Traviata, de Verdi. Foi muito aplaudida e o maestro aproveitou pra propor um brinde à Câmara Municipal, à orquestra e aos campineiros e, após um breve discurso excelente em defesa da orquestra, todos juntos fizeram o "Brindissi", da mesma ópera, primeiro bis do concerto.

Como o maestro havia anunciado que se houvessem muitos aplausos poderia haver um segundo bis, o público aplaudiu de pé intensamente e Toro voltou com Raíssa e os demais cantores pra fazer o segundo e último bis: a mais famosa canção de Carlos Gomes, "Quem Sabe?", que ele muito bem definiu como "o segundo hino de Campinas". O maestro contou uma emocionante história pessoal envolvendo a peça e convidou a todos que soubessem a letra pra cantar junto, no que foi prontamente atendido.

Depois de quase uma hora e meia de apresentação, o público aos gritos de "a orquestra é nossa, a orquestra é nossa" e depois servidores municipais aposentados aos gritos de "o Camprev é nosso", fizeram com que muitos músicos deixassem o plenário emocionados e com a alma lavada.

A orquestra volta a se apresentar no domingo, 17 de dezembro, na Concha Acústica do Taquaral, com um concerto especial de Natal, encerrando a temporada do ano.

Fotos: Danilo Leite Fernandes

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