Confraria da Bola

Serginho Escadinha vai, Tite vem

Sergio Dutra dos Santos tem 40 anos e é bicampeão Olímpico de vôlei, em Atenas (2004) e Rio (2016), e prata em Pequim (2008) e Londres (2012). Tá bom, mas tem mais duas Copas do Mundo em 2003 e 2007 e ainda, de quebra, levou o heptacampeonato em Ligas Mundiais entre 2001 e 2009. E não acabou por que ele não acaba. Tem mais dois Mundiais em 2002 e 2006.

E foi num domingo de sol e calor em céu aberto, num estádio de futebol para 40 mil torcedores e não numa quadra em ginásio fechado como de costume no vôlei, que ele se despediu.

Parou com a seleção, mas vai desfilar seu jogo de responsabilidade por mais uns dois anos em clube. Um moleque muito sério nas quadras com a responsabilidade de defender e orientar seu time de trás pra frente. Marcar os adversários e gritar o lance que vem. O cara é incansável, malandro e craque acima de tudo. Talento puro. Ninguém é insubstituível em nada, mas ele é como Pelé. Único. O vôlei não fica mais pobre sem Serginho, mas vai faltar sempre... ”ele”.

“Eu só agradeço ao voleibol, às pessoas que sempre torceram pelo Brasil. Foram muitos anos dedicados à seleção. Não quero ser agradecido, quero agradecer. Pelas pessoas que sempre se importaram com a gente. As pessoas sempre tem que acreditar nos seus sonhos. Eu me sinto igual a todas as pessoas que estão aqui assistindo. Não vamos deixar de lutar, vamos fazer do Brasil melhor, vamos correr atrás dos nossos sonhos.” (Sergio Dutra dos Santos).

Serginho parece que não acaba nunca.

Vamos pro Tite que senão eu choro de novo me lembrando da final contra a Itália. E confesso, chorei um pouco de ver a nova seleção. Como eu queria sentir isso de novo, me emocionar, torcer desesperadamente e correr na sala de casa como um moleque de 66 anos que eu sou. Apaixonado por um time que eu vi muitas vezes campeão e pelo qual, Deus me perdoe, não torcia mais. Algumas vezes, de tanta raiva, torcia para o adversário matar logo o jogo. Time ruim, técnicos ruins, ultrapassados e arrogantes. Jogadores negociados a cada convocação. Uma vergonha nacional em vez de orgulho de seu povo. A baixa estima do nosso torcedor tinha chegado até a imprensa. Mesmo querendo ser correto a gente escorregava.

O ouro Olímpico veio, e eu tenho certeza disso, pelas mãos de quem deveria estar no comando. O cara que montou o time com amor e competência. O treinador da base, o que conhecia os caras e que tinha o respeito deles. Rogério Micale.

Muito bem, agora temos o Tite, com anos de atraso. Mas temos. Passamos pelo Dunga, pelo Mano, Felipão.

E finalmente a diretoria da CBF, no bico do corvo, à beira de uma desonrosa desclassificação para uma Copa do Mundo, acordou. Ou se viu obrigada pela situação, não sei bem. Trouxeram Tite, sua comissão técnica, sua responsabilidade com o correto, com o futuro, com o ser humano e com o trabalho como ele tem que ser feito. Tite representa nova maneira de se relacionar. Com os jogadores sabendo que são estrelas e grandes nomes do esporte. Cuida dessa relação com carinho e profissionalismo. Juntos. Não bate, ensina. Não passa a mão na cabeça, indica caminhos corretos dentro e fora de campo. Traz novas lideranças, desafoga quem tem que jogar de cabeça fria como Neymar. Consertou o erro de deixar a responsabilidade técnica e de ser o capitão do time sobre a cabeça de quem devermos deixar livre e leve para criar, ser feliz.

Nosso adversário próximo e os mais distantes vão sentir a mão desse cara que encanta o país e a imprensa com sua competência profissional e o respeito pelo relacionamento com todos. Tite merece esse momento por trazer já, a brisa de um tempo que estamos esperando há anos.

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Valeu, Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, fechou os números da Olimpíada e mandou o recado. Sucesso de público e renda. Os números são gigantes. Passaram pela cidade 1,1 milhão de turistas, sendo 410 mil de fora e 760 mil brasileiros de todos os lados. Quem forneceu os números foi a Rotor, empresa municipal de turismo. Essas pessoas ficaram na cidade, em média, 10 dias e o custo médio para o estrangeiro foi de R$ 424,62 por dia, enquanto os da casa gastaram R$ 310,42.

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Debaixo de sete palmos

Imagem 1 - O carioca Leonardo Garcia Cavaleiro deve ser o orgulho de seus pais. Deve ser bom marido, bom pai. Um cara honesto e eu não duvido disso. Nunca matou uma mosca. Deve acreditar no Pai lá de cima e, com certeza, faz suas orações ao levantar e ao deitar-se.

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Dunga cai do bonde da história

Quando o jogo entre o Brasil e a Holanda acabou e nós fomos derrotados na Copa da África, eu fui de cabeça quente e baixa para a coletiva do treinador Dunga. Entrei e me sentei, olhos na cadeira do treinador. Depois de um tempo que parecia uma eternidade, ele apareceu. Triste, mas seguro do alto de sua arrogância natural. Olhar duro, mordendo o canto da boca, lambendo os lábios, seu tique nervoso.

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Cassius Clay

"A cadência de uma escola de samba”. Foi assim que Jorge Ben Jor definiu a atuação de Cassius Clay no ringue, sempre dançando conforme a música que seus adversários tocavam. Sempre em volta deles, bailando e se esquivando. Tomando porrada, mas nem tanto, até matar o opositor de cansaço. Daí vinham os golpes fatais. “No fim de um round, ele olhou pra mim com uma expressão irônica, como se dissesse: Ah, te enganei, agora vou acabar com você”. Quem disse isso foi George Foreman depois da batalha do Zaire, em 74, na disputa do título mundial.

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Libertadores não é nossa especialidade

Não, definitivamente não somos especialistas em Libertadores.
Caiu o Grêmio não jogando nada e enfrentando um time melhor, o Rosário Central.
O Palmeiras caiu diante do mesmo algoz do Corinthians, o Nacional do Uruguai.
Esses dois times tem orçamentos muito menores que os dos brasileiros. Então, o que pensar? Como explicar?
Falamos em tradição. Nós temos títulos com Inter de Porto Alegre, Grêmio, São Paulo, Flamengo, Corinthians, Palmeiras, Atlético, Vasco e Cruzeiro. Não sei se esqueci de algum, mas então isso não é tradição?

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Ricardo Oliveira brinca de jogar bola

Entrega. Ricardo Oliveira fala em entrega. E as palavras do melhor centroavante do Brasil hoje – o que é incrível pelos seus mais de 30 anos – soam como música dos Stones para quem gosta de rock como eu.

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Uma visita indigesta

Domingo é dia de angústia e sofrimento do povo do futebol. Duas torcidas em ritmo de espera. Se ela fica, o bicho come, e se ela corre, o bicho vai pegar. Então, o que fazer com dois times em formação, companheiro torcedor?

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Os meninos do Flamengo e os mimados do Timão

"Os garotos do Flamengo vibraram, derrubaram o favorito Corinthians. Foram buscar uma desvantagem de 2 a 0. Chegaram ao empate. E venceram a decisão por pênaltis, marcada para arrogância dos corintianos, por 4 a 3. Os cariocas são tricampeões do maior torneio de garotos no Brasil. Evitaram a décima conquista do time paulistano. Mas quem respirou aliviado foi Tite. Ficou claro que os meninos do Parque São Jorge têm talento. Mas ainda estão imaturos para disputar a Libertadores.

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O Torcedor

Torcedores de uma organizada corintiana cercaram um ônibus e cobraram garra, menos celulares nas mãos dos jogadores. Queriam um time mais técnico e mais na frente, procurando o gol e melhores jogadores. Ameaçaram os jogadores fisicamente, era evidente, e pressionaram a diretoria. E você me pergunta, como, se o Corinthians venceu tudo no ano passado, um timaço?

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