Consoantes Reticentes...

Digite a senha da senha da senha

 

Você precisa de uma senha para o computador. Você precisa de uma senha para o celular. Outra para o(s) e-mail(s). Outra para o Facebook. Outra para o Instagram. Outra para o Twitter. Outra para o seu banco. Outra para a internet do banco. Outra para o aplicativo de celular do banco. Outra para o cartão de débito e crédito do banco. Todas diferentes umas das outras e preferencialmente trocadas a cada três meses. E todas têm de ser improváveis, nem um pouco óbvias. As chamadas "senhas fortes".

Porém, ó santos nerds com óculos de fundo de garrafa, o mundo é inconsequente e não funciona desse jeito. Quase todos têm só uma senha, de segurança duvidosa, para todos os sistemas e não substituída há anos. A chance de um hacker descobri-la e arrombar toda a sua vida com alguns batuques no teclado é tão grande quanto a quantidade de senhas com a sequência 1-2-3-4-5-6.

É consenso no mundo da segurança da informação o fato de que as empresas produtoras de antivírus contratam hackers para criar vírus e posteriormente suas vacinas, para perpetuar o ciclo de ameaça e proteção. O vírus é criado, espalhado, a imprensa se encarrega de fazer o alarde mundial e enquanto isso, nos headquarters do Vale do Silício, a vacina já está pronta para integrar o pacote da versão 22.4 do mega-ultra-master-magic-killer-fast-ultimate-power-virus-exterminator. O mais seguro de todos os tempos, até que chegue o tempo de se criar um outro vírus ainda mais detonador e em seguida seu antídoto invencível, num ciclo criminoso que torna refém toda a humanidade e parcela considerável de marcianos.

Você descobre a redentora salvação nos Apps gerenciadores de senhas. Com uma senha-mestra, que abre o aplicativo, ele gera instantaneamente centenas de senhas insuspeitas, de combinações improváveis, uma para cada serviço em que uma senha é exigida do usuário. Troca automaticamente, a cada três meses ou a intervalos menores, todas as senhas, alfanuméricas ou não, com o número de dígitos que você determinar. Ao acessar o serviço o programa completa a senha, que na verdade nem você sabe qual é.

Aí aparece um hacker que desenvolveu um vírus que desvenda a senha-mestra, o "Abre-te Sésamo" para tudo que você acreditava que estivesse absolutamente seguro. A coisa é tão verdadeira que o vírus já foi batizado, um cavalo de troia chamado "Citadel".

Esqueça o gerenciador de senha. E nem pense em escrever as senhas em um arquivo comum de processador de texto, pois ele também é um arquivo e, portanto, exposto a ataques. Você tem que escrever as senhas no papel. Guardar o papel em lugar superseguro. Ir trocando as senhas a cada noventa dias. Riscar com a caneta e escrever a nova combinação por cima. Até encher a folha de rabiscos ininteligíveis e transpor tudo periodicamente para uma folha nova e cada vez maior, pois quanto mais o tempo passa, de mais serviços online você se torna escravo e mais senhas exclusivas precisará inventar.

A única solução 100% segura é memorizar, e pode colocar aí uns 3 meses para guardar tudo na cabeça. Só que, depois de três meses, já sabe: é hora de trocar as senhas.

 

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Carta de Pero Vaz - a resposta

 

Meu caro Pero,

Tua carta, relatando a descoberta de novas e tão ricas terras para a Coroa lusitana, causou grande satisfação ao nosso Rei, Dom Manuel. Fui testemunha bem próxima - muito mais próxima do que podes imaginar - dos pulos de alegria que dava a cada parágrafo lido. Era tanto contentamento que se mijava nas ceroulas, ora pois.

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Grande Hotel

 

Chego um pouco antes do horário estipulado para o check-in. Dou um tempo no bar do hotel, que tem um enorme “Hipotálamo’s” em neon azul piscando na porta.

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Aloneland

 

É pouco provável que consigamos deter o processo de desertificação de Aloneland. Não a geográfica, mas a desertificação humana mesmo.

Devagarinho vamos tendo a nítida confirmação de que há, em nosso povo, uma espécie de predestinação ao não-acasalamento. O que não significa um comportamento assexuado, mas um conformismo em lidar com a libido sem a necessidade de outrem.

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Sem pizza? Sem chance!

 

Existe pouquíssima coisa melhor que pizza, embora ninguém possa garantir que essas pouquíssimas coisas sejam, de fato, melhores que ela. Mas, se existirem mesmo, seriam tão poucas que caberiam no espaço de meia pizza brotinho. Com folga.

Não havendo pizza, no mínimo três quartos dos motoqueiros também não existiriam ou estariam fazendo outra coisa na vida, pois não teriam o que entregar.

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A hora e a vez do pamonheiro


Olha aí, olha aí freguesia
São as deliciosas pamonhas de Piracicaba
Pamonhas fresquinhas, pamonhas caseiras
É o puro creme do milho verde
Vamos chegando, vamos levando
Temos curau e pamonhas
Venha provar essa delícia
Pamonhas, pamonhas, pamonhas

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Peralta, por onde andas?

Peralta, por onde andas?

 

Faltam peraltas na praça. E nas ruas, nas favelas e alphavilles, nas escolas, nos shoppings, academias, quermesses, banheiros públicos, desfiles cívicos, confessionários de igreja e onde mais haja espaço e oportunidade para uma boa e bem arquitetada traquinagem.

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Alberto e Ayrton

santos dumont

 

 

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Dinheiro em espécie

Banheiro rima com dinheiro

comic-toilet-roll

 

 

Ele, particularmente, não via sentido nenhum nessa história de ler no banheiro. Seja no fato de ir ao WC para ler, ou de ler enquanto não se resolvem pendências fisiológicas de naturezas diversas.

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