Conversa de cidade

Aprender a conservar a arquitetura moderna

 

A preservação da arquitetura moderna cumpre um papel especial na contemporaneidade e, entre suas realizações, a arquitetura moderna brasileira é merecedora de uma particular atenção.

Reconhecida internacionalmente pela qualidade de suas obras, hoje enfrentamos o desafio de implementar estratégias de conservação que garantam sua salvaguarda; estratégias que se revelem atentas às qualidades estéticas, ao emprego de técnicas construtivas e materiais históricos, ou ainda, às especificidades de suas edificações.

Em julho próximo, o Museu de Arte Sacra de São Paulo nos oferece acesso a uma experiência formativa diferenciada: a oportunidade de conhecer, diagnosticar, identificar patologias, estudar e discutir soluções de projeto que promovam a conservação de uma importante residência moderna paulista.

O curso se propõe a estudar estratégias de salvaguarda e conservação de uma casa moderna paulistana projetada por Carlos Millan (1927/1964) em princípios dos anos 1960, mantendo atenção sobre a preservação de alguns de seus componentes materiais (concreto armado, serralheria e marcenaria integradas à construção, paisagismo, etc) e ainda, sobre a garantia de sua continuidade de uso, zelando por um bom posicionamento no mercado imobiliário. As atividades contarão com exercícios de levantamento métrico-arquitetônico, diagnóstico com técnicas não destrutivas e identificaçãodas manifestações patológicasa fim de subsidiar soluções de projeto que visem à conservação do imóvel. Também será objeto desse curso a análise de procedimentos legais e outros necessárias à contribuição na preservação da edificação.

O curso também oferece uma atividade complementar de estudos de intervenção arquitetônica visando um uso mais contemporâneo do morar.

Intitulado "Procedimentos para salvaguarda de uma residência moderna: casa Nadyr de Oliveira / Carlos Millan", o curso é coordenado pelos arquitetos Fabio Di Mauro e Vanessa Kraml e pela historiadora Mirza Pellicciotta.

 

PROGRAMA

A arquitetura de Carlos Millan: Prof. Ms. Sergio Matera(USJT)

Comercialização de imóveis históricos contemporâneos: Matteo Gavazzi e Felipe Grifoni (Imobiliária Refúgios Urbanos)

Desafios conservativos da residência: memórias de Delma de Oliveira Machado

Características, manifestações patológicas, diagnóstico não destrutivo e possibilidades de pequenas intervenções para a conservação do concreto: Profa. Dra. Fabiana Lopes de Oliveira (FAU-USP)

Análise dos materiais, características e uso de madeiras no mobiliário integrado à arquitetura da residência: Gerson de Amorim Oliveira  

Caixilharias metálicas: conhecimentodo funcionamento e possibilidades de intervenção para a sua conservação: Márcio Rodrigo Sartori (AmadriComércio de Esquadrias)

Compreensão, avaliação e questões legais envolvendo o caso específico da edificação: arq. Fabio Di Mauro e arq. Vanessa Kraml

Compreensão e análise de jardins históricos:  arq. Patrícia AkinagaAnálise dos materiais, características e uso de madeiras no mobiliário integrado à arquitetura da: Gerson de Amorim Oliveira

Aspectos práticos e legais de cuidado e manejo da vegetação: Vicente Tundisi (Ambiente Legal)

Exercícios de levantamento métrico-arquitetônico; prospecção cromática; diagnóstico do estado de conservação; patologias e mapeamento de danos; e discussão a respeito de medidas de salvaguarda e conservação: arq. Vanessa Kraml 

Atividade Complementar: exercício projetual de arquitetura com vistas às propostas de intervenção que adaptem a residência às formas contemporâneas do morar: arq. Vanessa Kraml. 

 

COORDENAÇÃO

O arquiteto Fabio Di Mauro e a historiadora Mirza Pellicciotta, há quatro anos, tem se dedicado a desenvolver projetos, atividades e cursos com o propósito de prospectar, analisar e propor estratégias de gestão conservativa. Em 2014, foram responsáveis pela organização no interior do Museu de Arte Sacra de São Paulo, do curso de extensão universitária “Zeladoria do Patrimônio Histórico Edificado Paulista” e em 2015, do curso “Preservação e uso do patrimônio histórico: um estudo de caso”. Na atualidade, estão lançando pelo Museu de Arte Sacra, a obra” As Edificações no Tempo: olhares sobre a conservação”, livro digital que reúne contribuições de 44 técnicos, docentes, pesquisadores e especialistas de diversas áreas de conhecimento para tratar da preservação de edificações em taipa, tijolos e concreto armado.

Vanessa Kraml é arquiteta e mestre em restauração de Monumetos pela Universidade ‘La Sapieza’ de Roma, diretora da VK Arquitetura e Restauro, idealizadora e editora da Revista Restauro. 


PÚBLICO ALVO/ ESCOLARIDADE 

O curso, em seus dois módulos, é voltado para estudantes e profissionais de arquitetura, engenharia, conservadores e restauradores de bens imóveis e técnicos de edificações. Serão necessários conhecimentos básicos de Desenho Técnico e/ou AutoCad e dispor materiais de desenho e levantamento métrico, bem como de vestimentas e equipamentos básicos de proteção pessoal (relação será disponibilizada aos inscritos). 


Data: 3 a 14 de julho de 2017, de segunda à sexta  Atividade complementar: 17 a 21 de julho  Horário: 13 as 17h  Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo e Casa Nadyr de Oliveira

Informações: (11) 5627.5393  /  www.museuartesacra.org.br/pt/acontece  Inscriçõesmfatima@museuartesacra.org.br 


 

 

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Patrimônio Arquitetônico de Campinas

preservação do patrimônio histórico, expressão afirmativa e ao mesmo tempo propositiva que, entre outros aspectos, integra o universo dos direitos; joga luz sobre um fundamento de vida em sociedade.

Conservar, zelar, salvaguardar algo que, se não de todos, é de muitos; consiste em si mesmo em respeitar e se respeitar, em perenizar e garantir testemunhos, referências e identidades.

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Sobre a prática cotidiana de conservação do patrimônio

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Há pouco mais de dois anos, nós tivemos a oportunidade de participar de uma experiência notável: de um curso de “Zeladoria do Patrimônio” idealizado pelo conservador restaurador Antonio Martin Sarasá e oferecido pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo no segundo semestre de 2012.

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Viagem pelos caminhos de reconstrução de uma cidade

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Questões de apreço e zelo no trato do patrimônio histórico

Por mais de 30 anos eu vivi, estudei, ensinei e trabalhei em Campinas, atenta à cidade e também aos conceitos, metodologias, reflexões, estudos, questões, perspectivas e objetos de meu campo de  conhecimento e trabalho; o universo da história. No entanto, foi no momento em que deixei Campinas que percebi a cadeia de sentidos que me manteve tão próxima a ela.

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