Conversa de cidade

Nos passos da maestrina e artista do canto lírico Maria Monteiro

Quando Maria Monteiro nasceu (1870), Campinas se preparava para receber o trem. A cidade, cercada de cafezais, já se destacava como um centro comercial e de serviços e contava com uma ampla população mestiça. Maria Monteiro era prima do maestro Carlos Gomes e filha do organista José Francisco Monteiro, e ainda criança, ela começou a revelar seus dotes artísticos.

Zica Monteiro, como era conhecida, estudou música em Jundiaí e no Colégio Florence de Campinas e, aos 13 anos se destacou como cantora lírica (contralto) nas festividades de inauguração da Matriz Nova (Catedral) participando nos anos seguinte de diversos coros e saraus literários. Aos 16 anos, ao integrar o programa de recepção da família Real na cidade de Campinas, Maria Monteiro encantou a Imperatriz Teresa Cristina que, com satisfação, lhe ofereceu uma bolsa de estudos na Europa. 

Zica Monteiro seguiu, então, para Milão em 1887 para estudar canto lírico com o prof Alberto Giannini no Real Conservatório, passando a viver na residência do Maestro Antônio Carlos Gomes até se graduar,  aos 19 anos, como Maestra e Artista di Canto. Sua carreira profissional teve início na década de 1890 com a estréia da ópera Mefistófales, de Arrigo Brodi, no Teatro de Peruggia, e nos anos que se seguira ela itegrou as óperas Carmem, Cavalaria Rusticana, Os Huguenotes, PromessiSposi e Trovador, nos palcos da Itália, França, Inglaterra, Áustria e Espanha. 

Nos dez anos que Maria Monteiro permaneceu na Itália, ela se casou com Ermegildo Grandi, um rico comerciante genovês que, entretanto, lhe forçou a interromper a carreira artística; uma triste decisão que pode ter influenciado sua morte prematura aos 27 anos, um ano depois do falecimento do Maestro Carlos Gomes. Maria Monteiro se acha enterrada no Cemitério Stagliano (próximo a Gênova) e sua imagem permanece presente no munumento-túmulo do primo, em Campinas.

Resgatar elementos desta breve vida de Maria Monteiro numa Campinas já tão alterada.. é o desafio que nos propomos a realizar no próximo dia 30 de outubro, numa atividade promovida pelo SESC Campinas. Retornar a lugares que frequentou, tomar contato com objetos de família, resgatar sonoridades e aprender com os herdeiros de sua musicalidade, um pouco mais da trajetória desta maestrina e artista do canto lírico mundial. Vamos resgatar e nos aproximar de seus passos.. numa atividade de turismo cultural impregnada de compromissos para com a preservação de nosso patrimônio cultural.


Encontro no dia 30 de outubro, às 8h na Praça Bento Quirino (marco zero de Campinas), para início do passeio pela região central da cidade, promovido pelo Sesc, na programação do "Festival de Turismo Mulheres no Mapa". 

INSCRIÇÃO: SESC Campinas 

www.sescsp.org.br/turismo/5812_CAMINHOS+DE+MARIA+MONTEIRO

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Patrimônio Arquitetônico de Campinas

preservação do patrimônio histórico, expressão afirmativa e ao mesmo tempo propositiva que, entre outros aspectos, integra o universo dos direitos; joga luz sobre um fundamento de vida em sociedade.

Conservar, zelar, salvaguardar algo que, se não de todos, é de muitos; consiste em si mesmo em respeitar e se respeitar, em perenizar e garantir testemunhos, referências e identidades.

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Sobre a prática cotidiana de conservação do patrimônio

Por: Mirza Pellicciotta e Fabio Di Mauro

Há pouco mais de dois anos, nós tivemos a oportunidade de participar de uma experiência notável: de um curso de “Zeladoria do Patrimônio” idealizado pelo conservador restaurador Antonio Martin Sarasá e oferecido pelo Museu de Arte Sacra de São Paulo no segundo semestre de 2012.

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Viagem pelos caminhos de reconstrução de uma cidade

Por: Mirza Pellicciotta e Fabio Di Mauro

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Questões de apreço e zelo no trato do patrimônio histórico

Por mais de 30 anos eu vivi, estudei, ensinei e trabalhei em Campinas, atenta à cidade e também aos conceitos, metodologias, reflexões, estudos, questões, perspectivas e objetos de meu campo de  conhecimento e trabalho; o universo da história. No entanto, foi no momento em que deixei Campinas que percebi a cadeia de sentidos que me manteve tão próxima a ela.

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Atlas Ambiental Escolar como mecanismo de transferência de tecnologia

André Luiz dos Santos Furtado, pesquisador da Embrapa Monitoramento por Satélite

Célia Regina Grego, pesquisadora da Embrapa Monitoramento por Satélite

Cristina Aparecida Gonçalves Rodrigues, pesquisadora da Embrapa Monitoramento por Satélite

Cristina Criscuolo, pesquisadora da Embrapa Monitoramento por Satélite

 

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