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Início ›Sanfoneiros, Emboladores e Pianeiros apresentam tradições musicais urbanas brasileiras
4 de Janeiro de 2012
Programação movimenta o Sesc Campinas todas as sextas de janeiro
Diversas atrações musicais, com múltiplos estilos e homenagens às tradições do Brasil estão na programação do Sesc Campinas em janeiro.
Sob a coordenação e mediação do músico Livio Tragtenberg, o projeto “Três Tradições e Um Remix” reúne em um ciclo de 'showversas' (shows costurados por conversas informais, que abordam aspectos musicais, culturais e sociais relativos à vivência de Sanfoneiros, Emboladores e Pianeiros), artistas que representam a cultura nacional. Como contraponto, o projeto se encerra com um remix contemporâneo dessas tradições em show de vídeo e música com Tragtenberg.
As apresentações são gratuitas e ocorrem todas as sextas de janeiro, na Área de Convivência da unidade.
A proposta do projeto é apresentar animadas conversas regadas a música com a participação ativa do público. O ciclo de 'showversas' começa com a apresentação das duplas de emboladores Peneira & Sonhador e Verde Lins & Pena Branca que apresentam diferentes estilos de embolada e coco, com músicas de suas autorias e improvisações, fazendo um grande desafio de duplas num quarteto de emboladores. Ao longo da apresentação ocorrem conversas informais com Livio Tragtenberg e o público sobre a tradição da embolada e suas particularidades, bem como da vivência deles como músicos na rua.
A segunda semana fica por conta dos Sanfoneiros Cegos, Rosa e Vilson, que apresentam solos e duetos com voz e instrumentais e apresentam a trilha sonora ao vivo para um filme mudo de curta duração (12 minutos), entremeados por uma conversa informal com Tragtenberg e a participação do público sobre as questões que envolvem a música e a deficiência, a vida profissional do músico cego e questões afins.
No penúltimo 'howversa o pianista', compositor e arranjador Laércio de Freitas apresenta um repertório de composições próprias inspiradas no período dos Pianeiros, do início do século 20, como valsas e choros e de compositores do período. O artista também sonoriza ao vivo o curta-metragem “Fragmentos da Vida”, de José Medina, um clássico de 1929.
Para encerrar o projeto tem a apresentação “Um Remix”, espetáculo multimídia no qual o músico Livio Tragtenberg contracena musicalmente com músicos de rua virtuais através de projeções em DVD. Esses músicos têm diferentes origens e estilos, há sanfoneiros, músicos de fanfarra, cantores e mendigos das ruas do interior de São Paulo, Paris, Bulgária, Islândia e Jerusalém. Através de projeção, essa diversidade humana e cultural e suas sonoridades dialogam com a execução musical ao vivo de Livio Tragtenberg que toca saxofone, clarone, sanfona e sintetizador, junto a batidas e sonoridades eletrônicas, que transporta o público através de cidades e culturas.
Saiba mais
Os sanfoneiros cegos - A apresentação de músicos cegos é um tema recorrente entre os artistas desde a antiguidade. Havia uma concentração de harpistas na Antiguidade, de tocadores de viola de roda na Idade Média até o Barroco, de violinistas e violonistas entre os séculos XVII e XIX e o aparecimento do acordeão a partir do século XIX permite falar do flutuante papel do músico cego na sociedade.
O estudo mostra que na Era Cristã predominava o papel de cego músico, trabalhando na marginalidade e na miséria, onde sua performance musical legitimava a mendicância. Na Idade Média, aparece um novo instrumento que não se ouve mais na atualidade: a viola de roda, ou hurdy-gurdy em inglês.
O uso da sanfona no Brasil teve um grande desenvolvimento no Nordeste devido a acessibilidade do instrumento, seja no valor como na portabilidade, o que facilitava as atividades dos músicos de feira.
Os Emboladores - embolada, coco de embolada, coco-de-improviso ou coco de repente é uma espécie de arte surgida no nordeste, onde é especialmente popular. Consiste em uma dupla de "cantadores" que, ao som enérgico e "batucante" do pandeiro, montam versos bastante métricos, rápidos e improvisados onde um tenta denegrir a imagem do que lhe faz dupla com versos ofensivos, famosos pelos palavrões e insultos utilizados. O ofendido deve improvisar uma resposta rápida e ao mesmo tempo bem bolada. Caso não consiga, seu par é coroado triunfante. Não deve ser confundido com cantoria onde a música e a resposta são lentas, melodiosas e o tema principal é a vida cotidiana.
Os Pianeiros - Pianista popular que ganhava a vida tocando em cinemas, festas familiares, bailes, casamentos, batizados, festas de aniversário, agremiações musicais (ranchos, sociedades dançantes e etc.) e lojas de música.
O termo "pianeiro" muitas vezes era pejorativo (vindo dos meios eruditos), pois muitos desses instrumentistas não liam partituras, embora improvisassem e demonstrassem técnica (nem sempre aquela ensinada nos conservatórios).
No entanto, os "pianeiros" cumpriam um papel social importante, pois, além de animar a maioria das festas sociais da época, também ditavam, de certa maneira, os sucessos musicais daquele tempo. Isso porque eram contratados para tocar as novas músicas editadas nas casas especializadas em venda de partituras, onde os fregueses iam buscar as novidades musicais.
Um dos ilustres "pianeiros" foi Sinhô, o Rei do Samba, exímio pianista, dono de técnica original e grande musicalidade. Muitos "pianeiros" eram também pianistas formados em conservatórios, como é o caso de Chiquinha Gonzaga, primeira maestrina brasileira e compositora de inúmeras obras em gêneros brasileiros.


Programação
06/01 - Emboladores
13/01 - Sanfoneiros Cegos
20/01 - Os Pianeiros
27/01 - Um Remix
Serviço:
Programação Musical
Local: Sesc Campinas. Rua Dom José I, 333. Bonfim. (19) 3737-1500
Local: Sesc Campinas. Rua Dom José I, 333. Bonfim. (19) 3737-1500
Horário: 18 horas
Entrada: gratuita
Fonte: assessoria de imprensa
