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As Campineiras – “A Caiçara de Barão Geraldo”
por César Póvero
Publicado em 18 de setembro de 2017

Letícia nasceu em Barão Geraldo, há mais de cinquenta anos atrás, “Barão” era muito diferente do que é hoje, seu sonho era conhecer o mar que Campinas não tinha, quando sentiu as ondas lamberem suas pernas pela primeira vez, soube que era isso o que queria, seu sonho, viver na praia!

Nossa protagonista na verdade tinha muitos sonhos, desejos, um deles era fazer um curso de teatro quando criança, estar nos palcos, mas seus pais separados, sua mãe muito ocupada, a tia que a criava não deixou que fosse ser atriz, na época ser atriz não era coisa de moça de família.

Então Letícia partiu para sua segunda vocação bem diferente, ser médica, enquanto fazia residência se apaixonou por um residente bonitão, ela achava ele bonito demais para ela, acreditou que este era seu príncipe encantado. Aos poucos viu que não era bem assim, o príncipe foi se revelando cada vez mais sapo, a essa altura já tinha dois filhos.

Sua decepção se fechou com uma traição. Letícia separada e revoltada pegou o primeiro garotão bonito, metade de sua idade, que se interessou por ela e passou a desfilar com ele para uma revanche. Mas após se sentir vingada, sabia que não era isso o que queria.

A essa altura, já era uma renomada médica da Unicamp, o casarão onde moravam havia ficado grande, indo a procura de um imóvel menor em Barão, conheceu em uma imobiliária um gerente que lhe indicou imóveis e disparou seu coração. Único problema é que ele era casado também, mas ainda não havia saído de casa apesar de ter deixado claro o término da relação para a esposa e as filhas.

Seu novo pretendente era totalmente diferente do estereotipo do galã com quem havia se casado. Este agora era parrudo, peludo e barbudo, nascido no litoral, estava todos os fins de semana numa casa de praia da família que ainda morava lá, e adorava sair para beber com ela nos bares.

O coração da caiçara disparou e até sentiu as ondas do mar lamberem suas pernas enquanto se beijavam, dizia um dos seus filhos que eles eram – “A Bela e a Fera”.

Com o Love affair de vento em poupa, Letícia começou a sofrer e em prantos orava olhando para o altar de uma famosa igreja, quando uma beata complacente com a chorona quis saber a causa de sua torrente de lágrimas.

Uma mulher casada?! Chorando por um homem casado? Nossa campineira saiu escorraçada da igreja com a cara molhada.

Já separada foi realizar o sonho da infância e se matriculou num curso de iniciação teatral onde passsou a arrancar elogios dos amigos e do público. Divorciada se casou novamente com o barbudo praiano e enquanto aguarda a aposentadoria bem próxima constrói sua casa na praia.

Entre bisturis e os holofotes ela pensa também em escrever um livro que provavelmente NÃO vai se chamar “A Caiçara de Barão Geraldo”. Se Campinas tivesse praia, talvez ela não nos deixasse, mas promete que nunca partirá de vez. Virá de vez em quando rever os tantos amigos que fez.

O mar serenou quando ela pisou na areia…

Quem samba na beira do mar é sereia…

(Compositor: Candeia)

Qualquer semelhança com alguma campineira real é mera coincidência, esté é um texto de ficção.

Barão Geraldo é o maior dos seis distritos do município de Campinas, no estado de São Paulo, no Brasil. Foi criado pela Lei Estadual 2 456, de 30 de dezembro de 1953. Situado a doze quilômetros da área central de Campinas, a que se liga pela Rodovia Professor Zeferino Vaz (antiga Milton Tavares de Lima), o distrito é famoso por sediar a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que centraliza um dos maiores polos de alta tecnologia do Estado.

 

 

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