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As Campineiras – “A Romântica do Jd. Flamboyant”
por Cesar Póvero
Publicado em 8 de setembro de 2017

O primeiro foi seu pai, o segundo… seu irmão, o terceiro foi aquele que a Teresa deu a mão…

Era assim que cantava a garota desde pequena em suas apresentações de teatro eno quintal de casa.

A família de Teresa era mineira, família grande com duas irmãs e dois irmãos, eram lá da cidade de Extrema e quando ela já tinha seus vinte e poucos anos seu pai se aposentava ainda bem novo e ia voltar para Minas.

Esta é a nossa primeira protagonista campineira “plus size”, até os 18 anos era magrela e alta, depois foi ganhando “sustância” como dizia sua mãe! Foi então que antes de a família partir, que a campineira desta crônica chamou os pais e o namorado, um músico já dez anos mais velho, e que ela e cheia de dedos tentou contar, mas os pais já sabiam que eles “estavam juntos”.

Assim Teresa, ou simplesmente Tetê se livrou da família, ela os amava muito, mas queria ser independente, nem gostava tanto assim do namorado, mas achava que aquela era a hora certa e embarcou em sua aposta romântica e foi morar num casarão no mesmo bairro, o Jardim Flamboyant.

Desde pequena já demonstrava sua sensibilidade para as artes e sempre se fazia de morta, “Um Corpo que Cai”, nas primeiras vezes pregou sustos quando alguém se deparava com a menina caída e apagada no chão, depois deixou de ser novidade.

Tetê começou a se dedicar às artes embalada pela música do namorado, e assim viveu com ele por dez anos, já no final, achava que ele não era mesmo seu grande amor, e para piorar chegou um dia em casa e o encontrou dando aula de canto para uma aluna, próximos demais, íntimos demais, e um detalhe, na cama. Que decepção! Jurou que tão cedo não ia mais querer se envolver com outro homem. Mas não demorou muito para que numa festa ela conhecesse um Matemático, quando deu por si,  já estavam sob o mesmo teto.

Ela achou que desta vez realizaria seu sonho de romantismo, chegou até a ficar noiva, mas seu par era muito 1+1=2, e ela das artes ficava frustrada com a extrema frieza e matemática dele.

Alguns anos depois seu possível amor partia e nossa romântica ficava solitária novamente. Novamente deprimida e tão decepcionada jurou tão cedo não se envolver com um homem.

Não se sabe se foi muito cedo, mas um ano depois ela entrava no desconhecido mundo dos aplicativos e sem paciência para a paquera virtual em único dia conhecia um economista, apesar de ser um homem dos números, ele amava as artes e mulheres fofinhas com “substância”.

Hoje em dia eles estão juntos faz três anos, mas cada um na sua casa, Tetê ainda não superou o trauma do lar abandonado. Ela da aula de artes e ele realiza o antigo sonho de fazer aulas de iniciação teatral.

Ela não dispensa a cerveja com os amigos no fim de semana, uma boa pizza ou um belo churrasco, mas parou de fumar, vive lutando com a balança num eterno “ultimate fighter”, não resiste a um bom docinho, uma compota, mas não falta da academia.

Assim como Teresa, o terceiro lhe deu a mão! Uma hora o romance bate à porta! Um beijo à sombra do Flamboyant!

 

Jardim Flamboyant é um bairro da Região Leste de Campinas, tendo ao sul o Jardim das Paineiras, a nordeste ficam o Jardim Boa Esperança e o Parque Brasília e a oeste está a Chácara da Barra.

 

 

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