Blog do Vinho
As mulheres que gostam de vinho de Francine Von Hove
por Suzamara Santos
Publicado em 6 de novembro de 2018

Artista francesa retrata mulheres em momentos de intimidade, com aquele ar de “mundo da lua”

As mulheres de Francine Van Hove, artista francesa, nascida em 1942, sempre me chamaram a atenção. São jovens sonhadoras, visitadas em momentos de intimidade, em que a nudez, ora insinuada ora em parte revelada, compõe cenas quase literárias. Francine gosta de exibi-las acompanhadas de livros, gatos, xícaras, espelhos e taças de vinho. Muitos as identificam com mulheres sonhadoras, como as que conhecemos e admiramos do Renascentismo. Mas, para mim, são mulheres entediadas, blasés, que estão sempre com pensamento longe, meio deslocadas do seu ambiente – aposto que muitos brasileiros estão se sentindo assim, depois de meses de tanta intensidade emocional.

E isso é o que mais gosto na arte de Francine. Essa habilidade de flagrar o estado de espírito em que tudo ao redor parece cansar e que passar horas em branco, desapegada do resto, tomando um vinho ou um chá, chega a ser uma necessidade restauradora. É assim que eu vejo as pinturas dessa artista. Ela nasceu em Saint-Mandé e estudou Belas Artes em Paris, onde se qualificou como professora, profissão que exerceu por um curto período no Lycee de Jeunes Filles, em Estrasburgo. Seu estilo e técnica são frequentemente comparados aos pintores renascentistas italianos dos séculos 16 e 17. Sua obra inclui pinturas, desenhos e pastéis, quase sempre tendo o personagem feminino como referência.

Com um vasto histórico de exposições e menções mundo afora, Francine é uma artista de intensa produção. Selecionei aqui algumas obras que sintetizam o universo onírico e ainda assim realista da artista. Francine Van Hove inaugura neste blog o espaço para arte relacionada ao vinho. Sempre que surgir um tema legal – música, literatura, artes plásticas, cinema, fotografia etc – compartilho aqui. Aceito sugestões. Espero que curta.

As obras de Francine remetem às pinturas renascentistas: olhar distante e sonhador

 

Jovem distraída com a luz do abajur que atravessa a taça de vinho e colore a toalha

 

Dois elementos recorrentes na obra de Francine: o vinho (champanhe) e o gato

 

Em torno na mesa: encontro entre amigas selado com vinho

 

Mulher e gato, duas inspirações: a mesma expressão entre “longe” e sonhadora da personagem

 

Novamente o jogo de espelhos: chá, nudez sugerida e precisão ao reproduzir detalhes

 

Momentos de solidão: livro como companhia e seios à mostra compõem a intimidade da jovem

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