Liquidificultura
As Teatrais – “Nosso Papai Noel”
por Cesar Póvero
Publicado em 23 de dezembro de 2014

Ainda era outubro e as lojas já piscavam em luzes. Enquanto Doroty, uma menina brincava com seu ursinho na sala de casa, sua Mãe chegava do trabalho desesperada.

Mãe – Doroty! Eu acabei de chegar e… passei pelo seu quarto… acho que estou vendo coisas… eu… passei pelo escritório lá em cima e…

Doroty – Viu meu novo brinquedo?

Mãe – Tem um papai Noel no escritório (aponta o andar de cima) amarrado e amordaçado, ou… eu estou ficando louca?

Doroty – Não mamãe, é meu novo brinquedo.

Mãe – Como assim menina?

Doroty – Eu sempre quis um Papai Noel e você e papai nunca me deram.

Mãe – Demos sim, de vários modelos, tamanhos e materiais diferentes.

Doroty – Era um daqueles que eu queria, igual o que ta no escritório de papi, posso apertar e puxar.

Mãe – Como você fez isso? Ele é bem fofucho e alto e ta de saco cheio, digo… com muitos presentes…

Doroty – Os presentes são de mentira, ainda não é dia de Natal. Pus anúncio nos classificados com o dinheiro da minha mesada, oferecendo bom salário pra papai Noel em shopping.

Mãe – Como se aqui fosse uma agência de empregos?

Doroty – Isso. Vesti suas roupas, mamãe! E o convenci que eu era uma secretária, servi a ele um chazinho com um calmante seu e pronto.

Mãe – Minha filha, uma sequestradora e este homem deve estar senil pra acreditar numa coisa dessas.

Doroty – Mami, não vou pedir resgate, quero ele como meu bichinho de pelúcia, tão fofinho!

Mãe – Como vou devolver este homem? Não podemos carregá-lo e soltá-lo numa praça de shopping. Iremos presas em pleno natal.

Doroty – Deixa eu brincar com ele por favor, não devolve, é tudo o que eu sempre quis, e vou poder ter todos os presentes que eu quiser.

Mãe – Ai, essas crianças consumistas, não pensam mais no espírito natalino.

Doroty – E os seus desejos? Casa na praia, carro importado…

Mãe – Quietinha! O que eu vou fazer, meu Deus? Vou passar o natal na cadeia, que tragédia se abateu sobre nossa família!

Doroty – Calma mami, a decoração ta casa ta tão linda, o pobrezinho é aposentado e sem plano de saúde, ta desempregado, ele me disse, vamos deixar ele aqui?

Mãe – Hum! Com a minha decoração podemos dizer que é a casa do papai Noel e cobrar ingressos…

Doroty – E o espírito natalino?

Mãe – Virá… ele virá… papi Noel, meu querido! Vamos acordar, ta na hora do jantar…

Pai (chegando boquiaberto) – O que significa aquele homem fofucho no meu escritório?

Mãe – Querido, é com ele que vamos ganhar dinheiro e sair dessa seca, nosso Natal vai sim ter tudo o que merecemos.

Pai – Hum, já gostei da ideia! Trocamos o carro, mas o condomínio esta atrasado faz meses.

Doroty – É o natal que veio pra ficar. 

Todos se sentam para o jantar enquanto se houve:

– Ho ho ho… estou faminto!

Então a campainha toca.

Mãe (Grita para a porta) – Quem é? A essa hora!

Uma voz idosa e rabugenta vem de fora – Aqui é a Mamãe Noel, vim buscar o meu marido que saiu do Pólo Norte e ainda não voltou.

Pai – Perdi o apetite.

Mãe (para a empregada) – Gorete! Põe mais um prato na mesa!

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