Liquidificultura
“Entre mortos e feridos…”
por Cesar Póvero
Publicado em 18 de janeiro de 2012

Sob escombros, levantamos a cabeça e iniciamos mais um ano, não quero ser repetitivo, mas o que fazer se os fatos se repetem ou mal andam? Impossível deixá-los passarem incólumes. Como me proponho falar de cultura, segundo o próprio nome desta coluna, devo diluir ou liquidificar o que está a minha volta. Assim falarei de Campinas, pois é onde estou hoje.

Nosso ano começou com mais um na prefeitura, mais um na cultura. Parece uma cirurgia insana que não cessa em sangrar e cada hora um entra no quarto da enferma bonachona – Tia Campinas – e vem um com um bisturi, um unguento, uma pajelança, uma oração, uma simpatia, um patuá….

Nada cura e só muda um pouco de lugar. 2012 continua com a nossa Catedral sendo o palco dos “Les Miserables”, uma ópera quase muda e grotesca, quase, porque as vezes tem uma pedinte tocando e cantando pra quem quer ou não ouvir. No final do ano passado ainda tinha um acampamento imundo em frente a igreja e travesseiros esparramados pelas ruas/calçadas. O fedor continua impossível e a escadaria parece mais um poleiro de mendicância. Voltando a falar do Terminal Central, do qual comentei há um ano se mantém como “A Favela” a céu aberto, cruel de ser ver de cima, de baixo e por todos os lados. Como uma cidade e seus governantes permitiram que isso chegasse a esse ponto de um “Sórdido Cartão Postal” pra que vem da Anhanguera e pega a Avenida João Jorge.

Nem só de más notícias vive Campinas, depois de tempos, temos o teatro do SESI com apresentações de qualidade e bom gosto, assim como o SESC, o teatro que sempre defendo, aquele teatro de conteúdo, que você fica pensando depois, que mexe e te faz refletir, e que ao mesmo tempo diverte e entretém.

Porém alguns mortos/vivos continuam rastejando a perder de vista, o Teatro Castro Mendes em reforma, tomara mesmo que esteja em reforma, já que por ali passou sabe-se quantos orçamentos, comissões e sabe-se Deus, quanto se ganhou com isso e a cidade só perdeu com o “Festival de Descasos” dos governantes.

O Centro de Convivência ainda agoniza ao vivo e a cores, há muito tempo se fala e nada se faz, e o que sempre se diz é que o diagnóstico do enfermo é muito pior e que a família é sempre a última a saber.

Vale lembrar, que em versão enxuta segue mais uma Campanha de Popularização do Teatro, que deveria se chamar – “Campanha de Popularização de Comédia”, vale lembrar também que Stand-up, não é comédia, é show de humor, e não é teatro, apenas acontece no teatro espaço físico. As peças são sempre as mesmas, das mesmas companhias, os títulos se repetem, e preferem por três dias a mesma para ganharem mais do que injetarem sangue novo.

Encerro e serro por aqui com a pergunta que não quer calar – Por onde anda a quadrilha que nos governou?

“Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão.” (Eça de Queiróz)

 

 

 

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