Para Crianças
Fim das sacolas plásticas nos supermercados
por Kátia Nunes
Publicado em 16 de janeiro de 2012
É preciso começar, mas por que só o consumidor terá de arcar com a despesa?

Em campanha intitulada “Vamos tirar o planeta do sufoco”, a Apas (Associação Paulista de Supermercados) e o Governo do Estado anunciam para 25 de Janeiro (semana que vem) o fim da distribuição (gratuita) das sacolas plásticas por quase 100% dos associados à Apas no estado de São Paulo, que somam o total de 2,6 mil lojas. Considero a campanha válida, já que o uso inadequado dessas sacolinhas têm causado mesmo problemas ao Meio Ambiente e é preciso encontrar uma solução mais sustentável para o transporte de produtos vendidos no varejo, mas tenho uma pergunta que ainda não foi respondida: Por que somente o consumidor terá de arcar com a despesa que a mudança acarretará?

Sim, inclusive porque o título da campanha é um convite a uma associação (“Vamos…”), então como fica a contrapartida do Governo Estadual e dos donos dos supermercados? Ah, os supermercadistas vão disponibilizar (vender) sacolas reutilizáveis (essa sim, um bom investimento) e as biocompostáveis (a R$ 0,19 cada), que se decompõe mais rapidamente por serem de origem vegetal e não fóssil (fabricada a partir de derivados de petróleo) como as plásticas. Some-se a este custo adicional a compra obrigatória de sacos (também conhecidos por sanitos) para o depósito de lixo (orgânico e reciclável), já que quase todo mundo usa as sacolinhas de supermercado para pôr o lixo doméstico.

O fato é que a maioria dos sacos para lixo vendidos no mercado nacional, e com preços bem mais acessíveis, também é de origem fóssil. Assim, considerando-se que o consumidor tende a optar pelo custo menor, a maioria vai comprar os sacos para lixo em plástico comum, como as sacolinhas dos supermercados, que continuarão a entupir os aterros sanitários por séculos. A grande diferença, creio, é que tendo de pagar por isso, não haverá desperdício e dispersão inadequada no ambiente como ocorre com as sacolas plásticas; que acabam por entupir as entradas e redes de captação de água das chuvas, contribuindo para alagamentos das vias, e muitas chegando aos rios e oceanos, o que coloca a vida de animais em perigo.
 
É, eu sei, os consumidores têm responsabilidade nisso. Mas e os fabricantes de embalagens, de alimentos e os supermercados, responsáveis pela enorme quantidade de embalagens despejada no mercado, muitas das quais desnecessárias e outras tantas não recicláveis, como as  plásticas metalizadas (de salgadinhos) e as bandejas de isopor usadas pelos supermercados para carnes, frios, legumes e doces cobertos por filme plástico?
 
A Nova Lei de Resíduos Sólidos e a “imagem positiva” da Apas

Perguntada sobre quanto os supermercados vão economizar não distribuindo as sacolas, a Apas respondeu, por intermédio de sua Assessoria de Imprensa, que “avalia que o mais importante nesse momento é a imagem positiva que o setor está passando para a população, no sentido do seu apoio à sustentabilidade…”. Do outro lado, a Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), defende o uso das sacolas plásticas e alerta para o fato de que os processos de produção dos outros tipos de sacolas, como as em pano, papel e papelão, também geram impacto ao Meio Ambiente.

Sim, todos os processos industriais geram resíduos e/ ou impacto ao Meio Ambiente, mas é preciso começar. Neste ponto, concordo com o argumento da Apas: “… a retirada das sacolas plásticas é apenas um passo para outras ações de preservação do meio ambiente.”. Agora, o motivo de terem decidido começar somente com as sacolas de plástico e às custas do consumidor, além dos já elencados aqui, não estão bem claros, mas certamente há interesses.

Nova Lei de Resíduos Sólidos (Nº 12.305, em vigor desde 2 de Agosto de 2010), em seus artigos 32 e 33, dá indícios dessa motivação, já que impõe aos fabricantes e comerciantes o uso de embalagens que possam ser reutilizadas ou recicladas e a estruturar e implementar sistemas de logística reversa para resgatar, após uso pelos consumidores, produtos potencialmente tóxicos, como lâmpadas fluorescentes, pneus, pilhas e baterias, e as embalagens plásticas, metálicas ou de vidro, entre outras não especificadas, conforme o grau de impacto à saúde pública e ao meio ambiente com os resíduos gerados. 

Como consumidora, dei uma pesquisada em alguns supermercados de Campinas e conclui que eu (família de 3 pessoas e um gato) vou gastar aproximadamente R$ 12,00 a mais por mês, o que dá R$ 144,00 no ano, com os sacos para lixo. Faça também as suas contas, prepare sua sacola retornável e também o bolso! Uma boa também é conferir as 5 dicas do Ministério do Meio Ambiente para o consumo consciente de embalagens .
 
A seguir, as respostas integrais da Apas às informações solicitadas por essa coluna:

Qual o número de supermercados que aderiram à campanha?
R: De maneira geral, a adesão tem sido grande, incluindo também as grandes redes de supermercados e hipermercados. Está perto de 100% no Estado. (Na cidade de Campinas, eles ainda não têm este número)

Quanto os supermercados vão economizar não distribuindo as sacolas?
R: A Apas avalia que o mais importante nesse momento é a imagem positiva que o setor está passando para a população, no sentido do seu apoio à sustentabilidade e a consciência de que a retirada das sacolas plásticas é apenas um passo para outras ações de preservação do meio ambiente.

Há uma estimativa de quanto cada família terá de gastar para comprar os sacos para lixo?
R: Segundo pesquisas realizadas, cada pessoa utiliza em média 60 sacolas de plástico por mês.

Os supermercadistas consideram subsidiar este custo ou parte dele?
R: As pessoas que não utlizarem sacolas reutilizáveis, carrinhos de feira, caixas de papelão ou qualquer outro meio, poderão adquirir as sacolas biocompostáveis, vendidas ao custo de R$ 0,19 cada.

Há uma estimativa da quantidade de sacolas distribuídas em Campinas e região e do impacto que terá ao meio ambiente a não distribuição delas a partir de 25 de janeiro?
R: Temos a estimativa  de que somente na cidade de Campinas são utilizadas cerca de 70 milhões de sacolas plásticas por mês.

Fonte respostas: Assessoria de Imprensa da Apas (na região de Campinas), em 10/01/2012
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