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Blog do Vinho
Locatelli e os espumantes cheios de lirismo e bossa
por Suzamara Santos
Publicado em 26 de novembro de 2018

Tiago Locatelli, premiado sommelier brasileiro: espumante sem dégorgement. Fotos: Decanter

Que o Brasil é craque em espumantes todo mundo já sabe. Mas você sabia que temos uma espumante premiado que não passa pelo processo de dégorgement, aquele procedimento de retirada da borra depositada no gargalo para receber o licor de expedição e a rolha definitiva? O espumante chega turvo às taças, mas pleno de pureza e essência. Esses “desconhecidos” vinhos, que um leigo poderia taxar precipitadamente de defeituosos, atraem apreciadores exigentes e interessados. E aqui estamos falando do Lírica Crua.

Quem me conta tudo isso é o gaúcho Tiago Locatelli, um dos mais respeitados sommeliers do Brasil, que hoje comanda a equipe da importadora Decanter, em São Paulo. Ele esteve Campinas, sexta-feira passada, para participar do Wine Day Decanter – Vinhos da Europa. Com ele, vieram Nicolas Giannone (representante da vinícola Falua, Tejo, Portugal) e Dario Distefano (vinícola Albini Armani, Itália). O encontro foi no restaurante Açougueiro, que acaba de abrir as portas no Cambuí e, como está explícito no nome, é dedicado às carnes especiais, acompanhadas de uma boa carta vinhos (para este texto não ficar demasiadamente longo, deixo Falua, Armani e Açougueiro para os próximos posts).

Lírica Brut e Lírica Crua: espumantes confirmam a expertise brasileira

Locatelli enfatizou a produção da Vinícola Hermann, sediada em Blumenau (SC) e proprietária da Decanter. A empresa conta com a consultoria do produtor português Anselmo Mendes, conhecido como o “rei do Alvarinho”, e a assinatura dos rótulos do enólogo Átila Zavarizze. Mendes é um vitivinicultor reverenciado na região no Minho, norte do país, e talvez isso explique a presença bem-sucedida das castas portuguesas no portfólio da Hermann. Além da Alvarinho, a marca faz um bom trabalho com a Gouveio, a Touriga Nacional e a Aragonês. A aposta em um espumante sem dégorgement aponta para o ímpeto em se diferenciar num mercado dinâmico, ainda jovem, mas que caminha para a maturidade como é o vinho no Brasil.

O Lírica Crua é um corte de Chardonnay (80%), Gouveio (10%) e Pinot Noir (10%). Os dias quentes e noites frescas da Serra do Sudeste e Pinheiro Machado, onde se espalham os vinhedos, permitem às uvas desenvolvimento saudável e riqueza aromática. O amadurecimento em sur-lie (com as leveduras) e o método clássico de elaboração tornam o vinho cremoso e persistente, com aquelas notas fermento de pão, misturadas a cítricos, tão desejadas neste estilo de vinho. Classificado como um Nature (até 3g/l de açúcar), este rótulo tem conquistado ótimas posições em rankings e concursos por aí. No Guia Descorchados 2017 / 2018 aparece na segunda posição, com 92 pontos.

Bossa 6: Bellini, combinação de suco de pêssego e espumante

Outro espumante da Hermann bem acolhido pelos apreciadores é o Lírica Brut (8 a 15g/l de açúcar), corte de Chardonnay (75%) e Gouveio (25%). A boa notícia é que os dois espumantes custam menos de R$ 100. E há outros que cabem em qualquer bolso, como a Linha Bossa. Numerados, nos Bossa predomina o método Charmat, com diferentes uvas. O Bossa 1 e 2, por exemplo, são 100% Chardonnay; já o Bossa 3 é um rosé de Pinotage, Cabernet Franc e Merlot. O Bossa 4, um Asti. E tem ainda um Prosecco (Bossa 5) e o Bellini (Bossa 6, coquetel de suco de pêssego e espumante). Boas dicas para as festas de Natal e Réveillon que já estão aí.

Entre os vinhos tranquilos, Locatelli chama a atenção para o bom custo-benefício da linha Hermann Matiz, elaborada nas versões Alvarinho, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Plural (assemblage de Aragonês, Cabernet Sauvignon, Syrah e Cabernet Franc). A Familia Hermann está presente também na gelada São Joaquim (SC), onde é sócia da vinícola Quinta da Neve, apontada como a primeira a elaborar vinhos de altitude no Brasil.

No portfólio da marca sobressaem cortes como Cabernet Sauvignon, Sangiovese e Merlot, o belo rosé feito de Cabernet Sauvignon, Sangiovese, Merlot e Pinot Noir, além de ótimos varietais. Na região, uma das mais frias do Brasil, as uvas Pinot Noir e Sauvignon Blanc são as mais bem adaptadas, entregando vinhos frescos, fragrantes, equilibrados e muito elegantes. Com 2018 já em seus últimos suspiros, Locatelli olha para frente, esperando um cenário econômico aquecido para produtores, importadores e exportadores de vinho. E comenta: “Por incrível que pareça, 2017 não foi um ano ruim para gente. E estamos otimistas com o que vem por aí.”

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