Voltar para o visitecampinas.com.br
Liquidificultura
“Natal de Outubro”
por César Póvero
Publicado em 13 de dezembro de 2013

Em todas as minha moradias, fossem elas com família, com amigos, relacionamentos, fosse minha casa ou não, sempre aceitei os enfeites natalinos dos outros. Quando era minha casa nunca vi nada do que realmente valesse a pena. Talvez por que quisesse algo maravilhoso, talvez porque achasse que nada daquilo fazia falta e que teria que guardar por um ano inteiro.

Acredito que seja muito válido o ritual de se reunir e enfeitar, preparar uma casa para o Natal, pra mim é época de renovação, por mais que a figura do papai Noel seja surreal para o Brasil, e para nós adultos é algo que nunca se esquece e se leva para sempre.

Apesar de informações que o Natal, nascimento de Jesus não foi em dezembro, ele também não era loiro de olhos azuis, há controvérsias de que também nem era pobre. Pouco importa. O importante são os pensamentos concentrados e sincronizados numa mesma emoção.

O natal de luz como se diz por aí é importante, a cidade iluminada, mas penso que a luz deve vir de dentro, para alguns o processo pode ser inverso e alguém se sentir tocado na alma de fora para dentro, sim acredito. Campinas está bem apagadinha, mas não ligo, não sei se é necessário, tiveram anos tão iluminados que ofuscavam péssimos governos, nada adianta.

Já mais próximo de onde quero chegar, digo que o natal já começa em outubro, perceberam? Na minha infância era dezembro, e eu juro como sentia o cheiro do natal, este cheiro foi desaparecendo, talvez seja um privilegio das crianças, depois o Natal foi chegando em novembro. Agora o natal chega em outubro sem cheiro nenhum e muitos piscas-piscas, renas que acendem e se movem, estrelas que acendem e apagam, isso ao acesso de todos no “Império Ching-Ling Contra Ataca” – episódio de Natal, em outubro a Bruxa cruzou com o Papai Noel. Sim, as lojas enfestadas de aboboras, bruxas e morcegos já competiam com artigos natalinos.

Aliás é incrível como assumimos, digo nós brasileiros, cultura americana, o nosso natal americano e o Halloween, que cresce mais e mais a cada ano, algo que nada tem a ver com nossa cultura. Cada dia mais nos desapegamos, nos “desculturamos” cada dia mais, falo num todo, não por mim. O futuro é um país sem identidade própria. Não seguiu a de Portugal, desenvolveu uma própria, mas se perdeu, ficou a deriva. Tenho medo da invasão do mau gosto que cresce galopantemente, a falta de cultura própria, que existe, mas ninguém mais se interessa, uma época vazia.

E os panetones? Já perceberam, ele chegaram em outubro e existe panetone de tudo quanto é jeito, marca e sabor, logo ele emendam com a colomba pascal e ficam o não inteiro no mercado. Sim porque tudo é comércio. Ganha-se nos sabores, nas opções, mas perdemos os hábitos, a cultura, o cheiro do Natal, o qual falei.

Há prédios parecendo cassinos cafonas com uma janela de cada cor sem falar em outros exemplos, mas o mais difícil e iluminar dentro de nós mesmos, os hábitos se perdem, as tradições, a cultura, o charme, menos é mais sempre. Enfim comprei um pisca-pisca no Ching-Ling, com fios transparentes e lâmpadas brancas nada Las Vegas, tenho acendido para ver se ilumina, mas realmente, luz vem de dentro também coloquei uma botinha com uma carinha de boneco de neve, bem Brasil, pendurada na porta. A bota ou meia, enfim, não decifrei, representa muito aquela inocente espera pelo presente que vai chegar. Muita luz para todos.

Compartilhe

Newsletter:

© 2010-2019 Todos os direitos reservados - por Ideia74

+ Liquidificultura