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Blog do Vinho
Peterlongo: champanhe como se faz em Champagne
por Suzamara Santos
Publicado em 19 de setembro de 2017

Hoje se fala muito da qualidade dos espumantes brasileiros. Com todo merecimento, diga-se, é o principal troféu da nossa enologia. E muitos tendem a acreditar que essa história é recente, contemporânea dos vinhos finos cujo lastro não alcança mais do que duas décadas. Não, senhor. O Brasil começou a produzir espumantes, pelo rigoroso método tradicional, o champenoise, no começo do século passado. Pasme, caro leitor. Nossas borbulhas têm mais de 100 anos.

Um dos raros documentos oficiais que atestam a origem do nosso vinho é de 1913. Por ele, sabemos que, nesse ano, a vinícola Peterlongo consagrou-se vitoriosa num concurso de vinhos com seu espumante moscatel. Ou seja, o Brasil não só produzia espumantes como já realizava concursos de vinhos e uvas, assim como Garibaldi se destacava pela expansão da enologia. Aproveitando a deixa, cabe ressaltar aqui a presença gloriosa da moscatel que hoje constitui, em Farroupilhas, uma das cinco IPs (Indicação de Procedência) brasileiras. Mais: dessa família, surgiu a Moscato Branco, a primeira uva considerada brasileira.

Voltando à Peterlongo, uma das curiosidades que sempre merecem ser citadas é o fato de se tratar de um caso raro de vinícola que pode utilizar a palavra “champagne” no rótulo. Como sabemos, legalmente só o vinho produzido na região francesa de Champagne pode exibir a palavra comercialmente no rótulo. Ocorre que antes da legislação que impôs essa regra, a Peterlongo já existia, já fazia suas borbulhas e já havia registrado a palavra para identificar seu produto.

E para honrar esse nome que é quase um título, a Peterlongo tem no catálogo o premiado Champagne Elegance Nature. Elaborado pelo método champenoise, esse vinho é um corte bem sintonizado de Chardonnay e Pinot Noir. Antes de chegar ao mercado, ele amadurece durante 24 meses em cave subterrânea. Outro rótulo que vale a pena experimentar é o Champagne Elegance, também elaborado pelo método tradicional, com as uvas Chardonnay e Pinot Noir. Trata-se de um vinho de linda cor dourada, perlage fina e persistente e muita fruta madura na paleta olfativa.

A Peterlongo foi ainda uma das primeiras vinícolas a exportar vinho para os Estados Unidos. Documentos da década de 50 mostram que seus espumantes brut tinham espaço nas gôndolas da loja Macy’s de Nova York, antecipando uma tendência que tornaria o Brasil uma referência desse estilo de vinho. Somente a partir dos anos 1970, com o caminho já sugerido pela Peterlongo, marcas estrangeiras como a Moët & Chandon e Martini Rossi, começaram a desbravar nosso solo.

Nesse período, fomos “invadidos” também por enólogos estrangeiros que viram no Brasil a oportunidade de “criar” um novo vinho. E eles estão aí até hoje, firmes e fortes. Destaco aqui três nomes que representam com louvor o espumante nacional: o chileno Mário Geisse (Cave Geisse), o argentino Adolfo Lona (Adolfo Lona Vinhos Espumantes) e o francês Philippe Mével (Chandon).

Olhando pelo retrovisor, constatamos que para celebrar o sucesso do espumante brasileiro é preciso reverenciar o agrimensor Manoel Peterlongo, imigrante italiano que desembarcou em Garibaldi, no ano de 1899, atraído pela promessa de terra fértil e trabalho promissor, e seu sucessor, o filho Armando, que a partir de 1924, com a morte do pai, assumiu o empreendimento familiar. O legado dos Peterlongo está lá, representado por um belo casarão ao estilo de Champagne, uma impressionante adega subterrânea, uma paisagem deslumbrante de vinhedos a perder de vista e, claro, champagne como se faz em Champagne.  A Vinícola Peterlongo é um dos endereços enoturísticos mais belos e informativos do Brasil. Saúde!

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