Blog do Vinho
Será que agora teremos vinhos mais baratos?
por Suzamara Santos
Publicado em 3 de fevereiro de 2018

O ano começou bem para o vinho brasileiro, com perspectiva de preços mais baixos num horizonte próximo. Isso porque as vinícolas finalmente puderam aderir ao Simples Nacional, que prevê significativa redução de custos tributários. De acordo com levantamento do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), o refresco pode chegar a 60%, o que obviamente vai refletir no preço da garrafa ao consumidor. Soma-se a isso, uma saudável desburocratização da atividade vinícola, há muito reivindicada pelos produtores. Com o Simples, o produtor vai se livrar do PRPJ, PIS/PASEP, CSLL, CONFINS, IPI, contribuições de seguridade a cargo da pessoa jurídica, ICMS E ISS.

A opção por esse sistema tributário foi anunciada em outubro de 2016, por meio do Projeto de Lei Complementar (PLP) 25/07, que abrange centenas de produtores em pelo menos 10 estados. Além das micro e pequenas vinícolas, o projeto envolve ainda as microcervejarias e os produtores de cachaça artesanal. O limite de faturamento para adesão ao sistema também ficou mais democrático, de R$ 3,6 milhões passou a R$ 4,8 milhões. A Ibravin estima que 80% das vinícolas podem ser enquadradas no regime e mais de mil novos empreendimentos devem ser regularizados apenas nos estados da região Sul.

Entre esses novos empreendimentos estão investimentos na infraestrutura das vinícolas e expansão de serviços agregados, especialmente nas atividades de enoturismo, distribuição dos produtos e modernização da empresa. Trocando em miúdos, mais negócios, mais empregos, mais gente comprando vinho brasileiro. Tudo isso a curto prazo, pois as inscrições para o Simples terminaram em janeiro e os efeitos são esperados já para este ano. Vamos cruzar os dedos!

BRASIL É O 14º PRODUTOR MUNDIAL

A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) coloca o Brasil na 14ª posição no ranking de maiores produtores do mundo. É uma performance deve ser comemorada com ressalvas. A Ibravin aponta dois motivos para este crescimento. Por um lado, a quebra na colheita de 2016 e por outro as boas condições climáticas registradas em 2017.

Ok, 2017 foi legal para melhorar a nossa posição no ranking, mas, olhando de perto, descobrimos que os vinhos de mesa e os sucos integrais de uva ainda têm muito espaço na produção brasileira e ajudam a elevar os números. Além disso, é bom também dar uma olhada na produção mundial de vinho no mesmo período. Pois bem, 2016 e 2017 foram anos ruins no mundo inteiro, o que ressalta o caráter sazonal do ranking.  

Mas vamos ser otimistas. O que importa é ter bons vinhos nacionais à disposição. E no quesito qualidade o progresso é incontestável. Há mais compromisso com o plantio da uva, mais eficiência dentro das cantinas e mais criatividade na elaboração dos vinhos. O Rio Grande do Sul é responsável pela produção de 90% dos vinhos de todo o País, registrando um volume de 485 milhões de litros em 2017. Como vimos acima, a principal queixa dos produtores, os impostos elevados, deve dar um respiro a parte do setor.

APÓS RECORDE DE 2017, SAFRA VOLTA À MÉDIA

Depois de registrar a maior colheita da história do Rio Grande do Sul, com 753 mil toneladas de uva em 2017 (antecedida pela quebra de safra recorde em 2016, com perda de 57%),  a vindima 2018 deve ficar dentro da média com cerca de 600 mil toneladas destinadas ao processamento. Produtores e indústria estão otimistas. As condições climáticas e o manejo adequado realizado ao longo dos meses proporcionaram às uvas boa qualidade e níveis altos de graduação de açúcar, o que deverá resultar em ótimos vinhos, espumantes e sucos.

De acordo com a Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho/RS), as primeiras uvas para processamento começaram a ser colhidas na segunda quinzena de dezembro, cerca de 15 dias antes do período normal: as variedades precoces se adiantaram por conta do pouco frio feito no inverno. A brotação começou antes, porém, as noites mais frias em dezembro fizeram com que as variedades tardias maturassem no período normal. A previsão é de um volume 20% menor do que no ano passado.

As cepas Bordô, Niágara, Violeta, Concord, Pinot Noir e Chardonnay foram as primeiras a serem colhidas no Estado. Na sequência, foram Merlot, Riesling Itálico e Glera (Prosecco). Por fim, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Tannat, Moscato Branco, Isabel e Trebbiano. Uma curiosidade: segundo o Cadastro Vitícola, no Rio Grande do Sul são cultivadas 138 variedades de uva, entre viníferas (destinadas à produção de vinhos finos e espumantes) e uvas americanas e híbridas (reservadas à elaboração de vinhos de mesa e sucos). As principais regiões produtoras são a Serra, a Serra do Sudeste, os Campos de Cima e a Campanha.

Fotos: Gilmar Gomes, Sílvia Tonon, Janice Prado/Divulgação

Fontes: Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) e Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho/RS)

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