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Cinema Literal
Série Top Dez – O Cinema em dez Listas: 10 filmes para rever sempre
por João Nunes
Publicado em 25 de março de 2019

Começamos com um bônus: “Os Sonhadores”.

O Maio de 68 tem enorme importância para a história recente. E poucos definiram tão bem o que ocorreu em Paris como Bernardo Bertolucci. Casal de irmãos e estudante americano se encontram nos protestos contra a demissão do diretor da cinemateca, mas vivenciam o espírito revolucionário longe das barricadas. A convocação “todos para a rua” lhes chega por meio de uma pedra que quebra o vidro do apartamento onde se refugiam. Os irmãos assumem a guerra, mas o americano caminha no sentido contrário com Piaf cantando “Je ne Regrette Rien”. O cineasta não se arrepende de ter assumido a guerra nem de ter revisto a posição sobre ela. Brilhante.

  1. “Casablanca”

Soa clichê cantar “You must remember this/ A kiss is still a kiss/ A sigh is just a sigh/ The fundamental things apply” os primeiros versos de “As Time goes By”, célebre canção de “Casablanca” (Michael Curtiz, 1942), clássico para se ver eternamente com dois ícones do cinema: Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Mas legal é ouvir a canção de Herman Huppfeld cantada por Sam, pianista personagem de Dooley Wilson amigo de Rick Blaine, o solitário apaixonado de Ilsa, separados pela guerra e que mobilizou românticos ao redor do mundo. O final triste não lhe empana o brilho.

  1. “Fanny e Alexander”

Os gemidos do patriarca, um pastor luterano, morrendo sob os olhares espantados do filho pré-adolescente nunca me saiu da mente desde quando vi pela primeira vez uma das melhores produções de Ingmar Bergman (1982). Vencedor do Oscar de filme estrangeiro, a obra do cineasta sueco mexeu com minhas raízes protestantes em um momento de definição sobre minha continuidade na igreja. Não por acaso, a história se passa durante as festas do Natal – uma tradição protestante. Talvez fosse bom rever o filme a fim de espantar os fantasmas – os mesmos que aparecem a Alexander.

  1. “O Mágico de Oz”

Dorothy e seu cão são levados para a terra mágica de Oz quando um ciclone passa por Kansas onde ela vive com os avós. O filme assinado por Victor Fleming, George Cukor, Mervyn LeRoy, King Vidor, Norman Taurog (1939) é um clássico absoluto. Quando faço palestras ou ministro oficinas ele serve como ponto de apoio porque tem roteiro perfeito assinado por um monte de gente e usado em cursos. Trata-se de uma aula de roteiro e a personagem central uma figura inesquecível no cinema. A fala final é a síntese de um filme de cabeceira: “nossa casa é o melhor lugar do mundo”.

  1. “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”

Quando terminou o filme de Michel Gondry (2004) e começaram a subir os créditos, escutei uma voz tristonha e melancólica cantar antigo hit devidamente relido. Impossível não chorar ouvindo “Change your heart/ look around you/ Change your heart/ it will astound you/ I need your loving like the Sunshine” na voz dolente de Beck. Charlie Kaufman subverte as regras do roteiro e o desconstrói usando essas mesmas regras para contar uma história de amor (uma comédia romântica, na verdade, com todos os clichês). O resultado é um roteiro espetacular (ganhador do Oscar).

  1. “Lavoura Arcaica”

O filme de Luiz Fernando de Carvalho é de uma tristeza de chorar – tristeza ancestral, inexplicável. E de uma beleza de doer os olhos, o  coração, a mente. Tem uma fotografia esplendorosa, a música encantadora do Uakti, um elenco de primeira grandeza e uma direção certeira e sensível. Sou apaixonado pelo filme ao qual vi umas quantas vezes. No livro “100 Melhores Filmes Brasileiros”, escrevi sobre ele – que ficou colocado em um honroso 17º lugar – e pôs Selton Mello no topo entre os atores brasileiros. Choro no grande embate entre pai e filho ou vendo a mãe acordar o pequeno André.

  1. “De Volta para o Futuro”

Assisti ao trailer de “De Volta para o Futuro” (Robert Zemeckis) em 1984 no cine Ouro Verde (hoje, Shopping Jaraguá) e desdenhei: mais uma bobagem americana. Poucos meses depois me mudei para Quito e, na falta do que fazer, decidi ver o filme e saí do cinema extasiado. Que roteiro sensacional, que história bem urdida, interpretada e dirigida. A partir daí, eu virei fã de carteirinha do filme – perdi a conta de quantas vezes o assisti. Se passa na TV, eu não resisto. Anos atrás, estive nos estúdios da Universal e deparei com a réplica do famoso carro DeLorean. Fiquei embasbacado.

  1. “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”

Em “Annie Hall” (o título em inglês deste filme ganhador do Oscar de 1978) estão os princípios básicos para se entender (e gostar ou odiar) Woody Allen. Inteligente e seguro de si, o cineasta norte-americano está se lixando para a crítica e para Hollywood (nem compareceu para receber o Oscar). Para quem ama Allen, como eu, “Annie Hall” é inesquecível. Allen é o único personagem da história do cinema capaz de se preocupar com a expansão do universo e a afirmação soar piada e, ao mesmo, ser levada a sério. E a cena na fila do cinema com Marshall McLuhan é, simplesmente, antológica.

  1. “O Poderoso Chefão”

Tenho um amigo que costumava imitar Marlon Brando (o gesto dele de levantar os dois braços e murmurar alguma coisa em italiano). Eu morria de rir porque era perfeita a imitação. Marlon teve de passar por um teste (veja bem) para interpretar Don Corleone, usou algodão na boca, ficou com aquela fala estranha e acabou ganhando o Oscar – na cerimônia, enviou uma índia americana para representá-lo. O filme é muito bom e Marlon está perfeito, no tempo certo, interpretando uma figura carismática que parece nunca envelhecer. Este é outro que não resisto ver quando passa na televisão.

  1. “Meia-noite em Paris”

Wood Allen se reinventou em 2011 aos 76 anos com este filme. E se reinventou fazendo mais do mesmo – segundo dizem os críticos dele. Sim, as quase mesmas piadas que refletem a visão de mundo do diretor, as quase mesmas perspectivas, os quase mesmos personagens. Mas quem resiste assistir a “Meia-noite em Paris” sem se encantar com a história que é pura escape do mundo real, deste presente absurdo cheio de violência e dor. O diretor usa elementos conhecidos e vai em busca do passado, supostamente, onde seríamos mais felizes e onde nosso vale seria mais verde e romântico.

  1. “Tudo sobre minha Mãe”

Vi o filme de Almodóvar (1999) em férias, em Porto Alegre. Não tinha lido nada sobre. Assim, levei o maior choque quando o roteiro mata o garoto Esteban (o ótimo Eloy Azorín), supostamente, o protagonista. E a cena de Manuela (a excepcional Cecília Roth) agarrada a Esteban morto, no meio da noite, na rua, chovendo enquanto grita “hijo, hijo mio” é de cortar o coração. Fiquei irritado com o filme até revê-lo e perceber a grande virada de Manuela na viagem de trem para Barcelona – cena na qual choro todas as vezes, e que define o filme. A morte do filho foi o renascimento da personagem.

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