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Cinema Literal
Série Top Dez – O Cinema em dez Listas – 10 imperdíveis ficções nacionais dos anos 2000
por João Nunes
Publicado em 19 de março de 2019
  1. “Bicho de Sete Cabeças”

O primeiro longa de Laís Bodanzky é, igualmente, o melhor trabalho da cineasta. Foi também a produção que lançou Rodrigo Santoro no cinema e, de cara, acabou premiado no Festival de Brasília, entre outros, e abriu as portas do sucesso para o ator. Baseado na autobiografia de Austregésilo Carrano Bueno, Santoro foi vaiado na apresentação em Brasília por ser bonito e trabalhar na Globo. Ao final, quando o filme se consagrou e Santoro ganhou o prêmio de ator, a plateia teve de se render e o aplaudiu. Completam o elenco dois veteranos que estão ótimos: Cassia Kiss e Othon Bastos.

  1. “Reflexões de um Liquidificador”

O título e o filme são estranhos. “Reflexões de um Liquidificador” (André Klotzel, 2010), no entanto, gera simpatia, mesmo partindo de história amoral: além do liquidificador falante, a protagonista Elvira, a ótima Ana Lúcia Torre, é acusada de matar o marido. Gosto muito de Selton Mello como ator. Com raras exceções, ele faz bem quase todos os trabalhos. Aqui, consegue algo que parecia impossível, pois “interpreta” o liquidificador e não aparece em nenhuma cena; ouve-se somente a voz e um jeito próprio de falar do eletrodoméstico: com entonação, intenções, pausas e sentimentos.

  1. “O Baixio das Bestas”

Este é o melhor filme do polêmico cineasta pernambucano Claudio Assis (2006). Longe de parecer provocação ao tocar em temas tabus ou mostrar sexo explícito, o cineasta faz, antes, uma denúncia: avô usa a neta adolescente que se expõe nua para os caminhoneiros de uma periferia qualquer no interior do Estado. E denuncia outras mazelas como humilhar mulheres, machismo e, não menos importante, desigualdade social – retrato de um Estado e retrato de um país. O filme ganhou o Festival de Brasília debaixo de vaias, mas teve merecimento por conta da ousadia de um diretor.

  1. “Madame Satã”

Gosto de todos os filmes de Karim Aïnuz, mas este seu primeiro longa-metragem (2002) continua sendo meu preferido. Trata-se de uma história real, pois o homem do título, de fato existiu – chamava-se João Francisco dos Santos e era um homossexual arrojado, briguento, assumidíssimo e corajoso vindo da favela carioca. O apelido era como ele se apresentava no palco de um cabaré nos anos 1930. Vivido magnificamente por Lázaro Ramos, que, com sensualidade e virilidade domina a cena, o filme se baseia em atmosfera claustrofóbica pautado por planos fechados e closes.

  1. “Cinema, Aspirinas e Urubus”

Quão improvável seria o encontro, em meio à Segunda Guerra Mundial, de um alemão vendendo remédios e passando filmes no sertão pernambucano e de um brasileiro rude característico daquela região do país? A história, dirigida por Marcelo Gomes (2005) podia versar sobre o amor físico entre dois homens; contudo, o roteiro enxuto e cheio de silêncios fala da amizade e o respeito entre dois homens tão diferentes. E enquanto um foge da Alemanha nazista para um improvável país (o Brasil) o outro quer desertar da terra rústica onde nasceu e na qual água é artigo de luxo.

  1. “O Invasor”

Duro ver a sordidez de seres humanos capazes de usar quaisquer meios a fim de obter poder, como neste filme de Beto Brant (2002). A história é ficcional, mas lembra acontecimentos da vida real. Um homem (o surpreendente Paulo Miklos) recebe dinheiro para assassinar o sócio de um empresário (Alexandre Borges). Uma vez consumado o crime, o empresário se sente realizado, mas o matador de aluguel invade a vida privada do empresário, conquista a filha deste e passa a lhe chantagear. A música “Ninguém Presta”, da banda de Indaiatuba, Tolerância Zero, dá o tom de terror ao filme.

  1. “O Auto da Compadecida”

A Rede Globo deu um golpe de mestre no mercado: lançou este título como minissérie de quatro capítulos de 50 minutos na TV e fez enorme sucesso e, logo, condensou-a em um filme de 1h44 e levou mais de dois milhões de espetadores ao cinema – exemplo inequívoco de que, com qualidade, se alcança o grande público. Com roteiro de João e Adriana Falcão, além de Guel Arraes (também diretor), sob a obra de Ariano Suassuna, o longa traz Selton Mello e Matheus Nachtergaele em estado de graça – filme nacional que todo mundo adora rever na Sessão da Tarde.

  1. “O Lobo atrás da Porta”

Poucas vezes no cinema nacional se viu um elenco tão poderoso e homogêneo, capaz de surpreender com interpretações magníficas. Some-se a isso uma competência de veterano do diretor paulista Fernando Coimbra (2013) ao narrar esta terrível história (real) de terror entre um casal que se apaixona e acaba envolvendo a filha dele em evento macabro. Corajoso o diretor porque, com tantas qualidades, o filme poderia atender a expectativa de quem quer cinema de entretenimento. Sim, há o prazer de ver o elenco atuar, observar o bom roteiro e a direção, mas o desfecho é bem pesado.

  1. “O Som ao Redor”

Este é o primeiro longa-metragem de ficção do ex-crítico de cinema, o pernambucano, Kleber Mendonça Filho (2012). E que bela estreia em longa: maduro nas questões que levanta e na técnica de executar bem um filme. Claramente identificado com Recife e com a própria história, o filme tem cenas antológicas, como a experiência do protagonista com o cinema da velha fazenda ou o banho de sangue na cachoeira. Uma produção, aparentemente, com cara de crônica de um bairro que, de repente, se torna suspense ao narrar a história de acerto de contas familiar e retrato de um país.

  1. “Lavoura Arcaica”

Uma das fotografias mais lindas do cinema brasileiro deste início de século executada por um inspirado fotógrafo (Walter Carvalho), uma preciosa trilha de Uakti, um brilhante texto (Raduan Nassar), um elenco admirável e uma fascinante leitura cinematográfica do livro feita por Luiz Fernando Carvalho (2001). Selton Mello realiza, aqui, o melhor papel da carreira: visceral, ele interpreta o adolescente André que recupera na cabeça de adulto a tragédia familiar que lhe marcou a vida. O resultado é um filme denso e exuberante – um objeto estranho (e bem-vindo) no cinema nacional.

 

* Fora de concurso: “Cidade de Deus” e “Tropa de Elite” 1 e 2

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