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Série Top Dez – O cinema em dez listas: dez atores e atrizes que mereciam o Oscar e não levaram
por João Nunes
Publicado em 18 de fevereiro de 2019

Nesta segunda lista de uma série de 10 sobre cinema, os atores e atrizes que mereciam ter levado o Oscar para casa, mas foram preteridos.

10. Harrison Ford

A Academia nunca curtiu muito os chamados filmes de heróis e, talvez, isso explique porque Harrison Ford (mesmo com todo o sucesso) tenha passado batido nas indicações em duas séries famosas como “Star Wars” e “Indiana Jones”. A única indicação dele foi na categoria ator pelo belo trabalho em “A Testemunha” (Peter Weir, 1985). Perdeu a disputa no Oscar de 1986 para William Hurt (merecidíssimo, aliás), de “O Beijo da Mulher Aranha”, dirigido pelo argentino-brasileiro Hector Babenco. A não ser que renasça em algum filme, Ford perdeu o bonde da história no Oscar.

9. Bill Murray

Sean Penn no grande “Sobre Meninos e Lobos” (Clint Eastwood) roubou a cena daquele que poderia ser o Oscar para Bill Murray. Este, incorpora o papel de ator-referência por causa das atuações “cool” e pelo humor sutil – algo que vem da própria personalidade dele. Além de tudo, a indicação de Murray se dá em um belo filme de Sophia Coppola, “Encontros e Desencontros”, no qual pouco acontece. Contudo, o roteiro da própria diretora cria uma atmosfera que é a alma do filme: tudo está embutido na entrelinha, no não dito, nas pausas, o seja, o lugar e o tempo de Murray.

8. Samuel L. Jackson

Tom Hanks é um grande ator e mereceu o Oscar por “Forrest Gump” (Gus van Sant), em 1995, mas Jackson também o merecia por “Pulp Fiction (Quentin Tarantino). O que fazer em um caso destes? Se a Academia fosse ousada – como Cannes, que em 2005 deu o prêmio de atriz para as seis mulheres do elenco de “Volver” (Pedro Almodóvar) –, entregaria a estatueta (ou estatuetas) aos dois. “Pulp Fiction” revolucionou a narrativa no cinema apoiado na ótima atuação de Jackson, que retrata tão bem um personagem cínico que se sente à vontade tanto no humor quanto na violência.

7. Richard Jenkins

Assim como Tom Hanks e Samuel L. Jackson, a Academia poderia conceder o prêmio para Sean Penn, grande ator e que mereceu o Oscar por “Milk” (Gus van Sant), em 2009, e para Jenkins, que também o merecia por “O Visitante” (Thomas McCarthy). Este, professor de poucas palavras que mora no interior do país e mantém apartamento em NY. Certo dia, ele viaja a fim de dar aula na chamada Big Apple e quando abre a porta do apartamento depara com casal de imigrantes vivendo ali. E, mais surpreendente: de modo legal. A convivência mudará a vida do pacato mestre.

6. Bette Davis

O clássico “All about Eve” (Joseph L. Mankiewicz), traduzido no Brasil como “A Malvada”, na cerimônia de 1951, recebeu seis troféus das treze indicações. Mas entre os vencedores não constava o nome de Bette Davis. Ela e outras três do mesmo filme foram indicadas – feito inédito –, sendo duas atrizes e duas coadjuvantes, mas quem levou foi Judy Holliday (“A Mulher Nascida Ontem”, de George Cukor). Curioso entender os meandros da história, pois Bette virou um ícone incomparável: “Tudo Sobre Minha Mãe” (Pedro Almodóvar) é inspirado nele a partir do próprio nome.

5. Ian McKellen

Esta foi muito pesada. McKellen do ótimo “Deuses e Monstros” (Bill Condon), contracenando com um surpreendente Brendan Fraser (o melhor trabalho da carreira dele) perdeu o Oscar para o careteiro italiano Roberto Begnini de “A Vida é Bela” na cerimônia de 1999 – o mesmo que derrotou “Central do Brasil”. Ian vive a história real do diretor de filmes de monstros, James Whale. Em recuperação de um derrame, ele conta histórias dos filmes que realizou enquanto pinta tendo o jardineiro da casa como modelo. O ator está impecável – outra injustiça monumental da Academia.

4. Leonardo DiCaprio

“Titanic” foi um dos campeões em indicações ao Oscar e um dos maiores vencedores. Das 13 indicações, levou dez na cerimônia de 1998. Alguém não ficou feliz com isso. DiCaprio nem sequer foi indicado – outro pelo qual a Academia criou birra. Leonardo é um bom ator e, em nenhum momento, destoa do restante da obra de James Cameron. Pelo contrário. Ele criou um herói ao mesmo tempo corajoso e frágil, ousado e romântico, e bonito sem perder a masculinidade. Não custava acrescentar, pelo menos, uma indicação. O vencedor foi Jack Nicholson, de “Melhor Impossível”.

3. Michel Keaton

Na cerimônia do Oscar de 2015, Michael Keaton viveu experiência traumática. Era o favorito pra levar o troféu de melhor pela interpretação em “Birdman (ou a inesperada virtude da ignorância)”, do mexicano Alejandro Íñarritu. Quando foi anunciado para quem iria a estatueta, ele tirou do bolso o discurso que leria. Para a frustração dele e de todo mundo não foi Michael Keaton o nome ouvido, mas do jovem (e talentoso) britânico Eddie Redmayne (“Teoria de Tudo”, James Marsh). E ele guardou o papel. De tempos em tempos, a Academia devia pedir perdão por erros iguais a este.

2. Glenn Close

Em 2019, Glenn Close está indicada novamente para o Oscar. É a sétima vez (três como coadjuvante e quatro no papel de protagonista). Pelo menos, agora, parece que chegou a vez dela; não sem tempo, pois vai completar 72 anos. Close é atriz intensa, visceral, obsessiva. Nesta recente indicação (“A Esposa”, Björn Runge) ela está excepcional. Os melhores momentos no filme estão em sequências nas quais a atriz não fala. Toda a interpretação se expressa no rosto marcante, o que revela riqueza de repertório. Oscar para Glenn Close já!

1. Fernanda Montenegro

Não por ser brasileira, mas por ser Fernanda Montenegro, uma das maiores atrizes do mundo. Meryl Streep, 20 vezes indicada, saiu aos prantos da sessão de “Central do Brasil” (Walter Salles) comovida pela atuação da brasileira. Mas, na cerimônia de 1999, a Academia preferiu Gwyneth Paltrow – com todo o respeito, Fernanda é incomparavelmente melhor. Para o Oscar, estava de bom tamanho ser indicada. De fato, indicação é reconhecimento, e o prêmio foi criado para americanos, de preferência, jovens. Mas, para mim, Fernanda é a dona desse Oscar.

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