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Série Top Dez – O Cinema em dez listas: O Oscar não mudou a vida destes 10 atores e atrizes
por João Nunes
Publicado em 21 de fevereiro de 2019

Alguns acham que existe certa maldição no prêmio. O argumento não se sustenta porque, se estes dez (na verdade, a lista tem onze) e tantos outros não emplacaram, a maioria sempre se deu bem depois de faturar a estatueta. Mas não deixa de ser curioso que alguns atores e atrizes (obscuros ou mais ou menos conhecidos) contemplados com o almejado troféu caiam em um inexplicável limbo. Afinal, um prêmio desses, em princípio, costuma servir de enorme impulso para a carreira. Nem sempre.

10. Caso de Helen Hunt, Oscar de atriz no simpático “Melhor é Impossível” (James L. Brooks) na cerimônia de 1998. Ela deve ter ficado feliz com o reconhecimento depois de ter trabalhado com Jack Nicholson (também laureado pelo mesmo filme). Ainda jovem e bonita, dois itens essenciais nesse tipo de atividade, Helen fez alguns filmes razoáveis até se afastar por anos do cinema. Em 2007 fez um longa como diretora e, em 2012, voltou com o sensível “As Sessões” (Ben Lewin) e recebeu nova indicação ao Oscar. É pouco para quem foi lembrada duas vezes e ganhou uma delas.

9. Richard Dreyfus

Este ator norte-americano de 71 anos tem algumas dezenas de longas-metragens no currículo, vários deles emblemáticos, como “Tubarão” (1975) e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” (1977), ambos de Steven Spielberg, e “A primeira noite de um Homem (Mike Nichols, 1967) e “Conta Comigo” (Rob Einner1986). Em 1978, faturou o Oscar com “A Garota do Adeus” (Herbert Ross) e seguiu atuando no cinema. Esperava-se que fossem produções de um mínimo impacto – no belo “Conta Comigo” ele faz apenas uma ponta. Entretanto, são filmes médios ou inexpressivos.

8. Cuba Gooding Jr.

Este outro artista estadunidense fez trabalhos bem cotados, tais como o impactante “Os Donos da Rua” (John Singleton, 1991), até ganhar o Oscar de ator coadjuvante com “Jerry Maguire – A Grande Virada” (Cameron Crowe), na cerimônia de 1997, e no qual interpreta um temperamental jogador de futebol americano. Depois disso, supõe-se, a vida artística de Cuba seria transformada. Ele nunca deixou de trabalhar no cinema (e também na TV), mas a longa lista de produções (em torno de 40) não inclui nenhuma obra de projeção. Uma pena, pois o ator poderia render muito mais.

7. Louis Gosset Jr.

Veterano ator (quase cinco décadas de trabalho), ganhou um Emmy (para produções realizadas para a TV) e dois Globo de Ouro (entregue pelos jornalistas que cobrem Hollywood), entre outros, e chegou ao Oscar de coadjuvante com “A Força do Destino” (Taylor Hackford), na festa de 1982. E não foi uma premiação qualquer. Ele fez história porque era o primeiro negro a ganhar a cobiçada estatueta nessa categoria. Depois, se aliou a filmes também de pouca expressão ou à TV. Nos últimos 20 anos, ele multiplicou em cinco vezes (em relação ao cinema) o número de participações na televisão.

6. Holly Hunter

Esta atriz norte-americana tem uma carreira premiadíssima: Globo de Ouro, melhor atriz em Cannes e Berlim (só para citar dois festivais dos mais importantes) e quatro indicações ao Oscar. Ganhou o troféu de atriz principal em 1993 pela atuação em “O Piano” (Jane Campion). O que mais queria Holly Hunter, depois de se consagrar nas mais altas instâncias? Depois, tem um e outro trabalho de destaque (por exemplo, “Crash – Estranhos Prazeres”, de David Cronenberg, em 1996). No mais, a carreira dela se encaminhou ou para filmes bem comerciais ou sem grande relevância.

5. Adrian Brody

Há uma cena inesquecível em “O Pianista” (Roman Polanski), quando Adrian Brody toca Chopin para um soldado nazista na esperança de obter clemência. A atuação dele é esplêndida e merecedora do Oscar de ator em 2003. Formado em artes cênicas, é também produtor – o que poderia explicar o rumo da carreira dele. Sim, porque depois do Oscar (aos 30 anos, o mais jovem ator a receber o troféu), ele fez um monte de filmes. Mesmo os considerados ótimos, como “Meia-noite em Paris” (Woody Allen, 2011), ou “O Grande Hotel Budapeste” (Wes Anderson, 2014), são papéis pequenos.

4. Timothy Hutton

Apesar de ter começado a carreira bem cedo, este garoto foi revelado em “Gente como a Gente”, primeira incursão do ator Robert Redford na direção, e recebeu o troféu de ator coadjuvante na cerimônia de 1980 – uma grata surpresa, pois se mostrou talentoso. Esperava-se que esse talento fosse explodir, mas não foi o que se viu. Depois do prêmio, realizou dezenas de trabalhos, boa parte na televisão, mas sempre em papel secundário. Uma pena. No filme de Redford, o filho atormentado pela rejeição da mãe resultou em uma atuação simpática e comovente – daí a expectativa.

3. Halle Berry

Ela também fez história. Tornou-se a primeira negra a ganhar o Oscar de atriz na festa de 2002 pelo drama romântico “A Última Ceia” (Marc Forster) – com o qual, igualmente, ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim – considerado o segundo mais importante do mundo. Também ainda jovem e bonita (ficou em segundo lugar no Miss EUA em 1986), escancarou as portas para alcançar carreira de êxito. Entretanto, em 2005, compareceu ao Framboesa de Ouro para receber o troféu de pior atriz pela interpretação em “Mulher Gato” (Pitof) e emendou uma série de filmes pouco expressivos.

2. Gwyneth Paltrow

Na premiação de 1999, uma brasileira concorria na categoria melhor atriz. Fernanda Montenegro estava muitos degraus acima de Gwyneth, mas esta era jovem, bonita e norte-americana e ganhou o prêmio pela discreta performance no pouco atraente “Shakespeare Apaixonado” (John Madden). Fernanda seguiu trabalhando no Brasil onde se faz cinema, teatro e, principalmente, TV. Gwyneth realizou algumas produções de destaque, como “Os Excêntricos Tenenbaums” (Wes Anderson, 2001), por exemplo. Depois, se entregou a filmes sem grandes preocupações artísticas e estéticas.

1. Dianne Wiest e Sally Field

As veteranas Dianne Wiest e Sally Field têm um nada desprezível currículo: dois Oscar – feito suficiente para alavancar qualquer carreira. Dianne, consagrada nas festas de 1987 (“Hannah e suas Irmãs”) e de 1995 (“Tiros na Broadway”), ambos de Woody Allen, nunca alcançou o reconhecimento da grande atriz que é. Sally conquistou o prêmio por “Norma Rae” (Martin Ritt, 1980) e “Um Lugar no Coração” (Robert Benton, 1985). A despeito de (assim como Dianne) ter colecionado filmes importantes (além das séries na TV), tampouco foi colocada no panteão de grandes atrizes.

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