Liquidificultura
Teatro – D. João e a Invenção do Brasil
por Cesar Póvero
Publicado em 6 de junho de 2011

Aconteceu nos dias 25 e 26 de maio de 2.0011, a primeira apresentação deu início ao “11º Festival Brasileiro de Teatro”(saiba mais sobre o Festival e sua agenda aqui no campinas.com.br), que segue até o dia 26 de junho. O espetáculo apresentado foi “D. João VI e a Invenção do Brasil”. A “Cia Catibrum” usa o recurso de teatro de bonecos, porém não apenas como manipuladores, os mesmos também atuam. O espaço utilizado foi a Concha Acústica da Lagoa do Taquaral. Gostei de ver este espaço ativo na cena Campineira.

Começo com uma observação quanto ao espaço utilizado para a encenação, ele tem vantagens e desvantagens. O espetáculo foi valorizado pela paisagem, que deu mais vigor ao se contar sobre a vinda da “Família Real ao Brasil”, “Terra de Nativos”, foi bela a imagem de grandes e belos bonecos e seus personagens tão peculiares surgindo de dentro do verde que cerca a Concha. Porém são bancos de concreto e sem encosto, contrário de arquibancadas onde você tem como encosto a base do assento superior.

Isto torna o evento um tanto cansativo, por isso o ideal é que, quem está querendo formar plateia, o que é de suma importância na infância e adolescência. Faça os agradecimentos aos apoiadores, apresente o evento com sua relevância de forma mais breve, para que não desestimule este publico ainda em formação. Afinal o público vindo de ônibus fretado para o evento, faz parte da formação de público, já estava presente e assim mesmo houve 15 minutos de atraso, o que é de praxe em teatro, mas com poltronas confortáveis e público adulto.

O espetáculo que defino mais como infanto-juvenil, devido à abordagem que se da agrada a jovens e adultos, devido o bom humor e a naturalidade que se dá a vinda da “Família”, o antes, o durante e o desfecho. O interessante é que os atores/manipuladores começam a cena como uma “Contação de Histórias”, com figurinos neutros numa mesa com cadeiras. Aos poucos, eles incorporam os conhecidos personagens, que sempre merecem serem revisitados, com alguns tecidos e logo partem para o Brasil. A mesa de rodinhas com cadeiras se tornam uma carruagem/embarcação e assim partem.

Como já disse acima os bonecos/personagens inusitados: a rabugenta Carlota Joaquina, o guloso e bonachão D. João, a transloucada Maria, a Louca, entre outros surgem do meio das árvores e interagem com a plateia. O espetáculo contou com o recurso de microfones, que é necessário naquele tipo de espaço. A peça transmite de maneira bem humorada, a politicagem que inventou o Brasil, já com seus desperdícios e ganância, até a partida “da Família” de volta a Portugal.

O elenco de atores/manipuladores é bom em desempenho e vozes diversas, devido vários outros personagens. Porém talvez devido o espaço aberto, sujeito a desatenção, e a carência de luzes que dão um calor ou um colorido, torna uma hora de espetáculo um tanto cansativo. Vale lembrar que as condições da proposta de um teatro a céu aberto, como teatro de rua tem os prós e os contras. No caso de D. João, A Invenção do Brasil, o espetáculo ganharia mais beleza e atenção dentro de um teatro, mesmo com os pobres recursos do nosso Centro de Convivência e perderia o cenário natural.
Senti também displicente de mais o cenário/caixa de onde saem e entram os atores e bonecos do inicio ao fim. Fiquei esperando ela ficar pronta. Principalmente no começo. Não tinha a neutralidade de uma caixa preta, nem o colorido de um folclore, ou as cores do Brasil, faltou definição. Como sempre abordo não me refiro a luxo, longe disso e sim um conceito. É preciso separar minimalismo, ou teatro essencial do que pode parecer despreocupação. A encenação enriqueceria se ganhasse mais ritmo e talvez uma redução em uns 10 minutos. Enfim a “Cia. faz um trabalho marcante de atuação com manipulação e de um teatro inteligente e estimulante experimentando novas linguagens e propostas mostrando pra Campinas novas vertentes da cena Mineira.

Obs.: Conforme o vídeo que segue abaixo, o espetáculo ganha muito em apresentação noturna, logicamente para um público que não é o de teatro escola, que tem que ser de dia.

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