Liquidificultura
Teatro – Giramundo com “Pedro e o Lobo”
por Cesar Póvero
Publicado em 20 de junho de 2011

Há muito tempo que o “Grupo Giramundo” (que já tem 40 anos) me despertava a curiosidade, e se fazia sinônimo e referência em teatro de bonecos. Agora posso dizer que, graças a “Cena Mineira” trazida para Campinas no Festival de Teatro Brasileiro, pude conhecê-los. Fui ver neste domingo 19/06, pela manhã, “fui no escuro”, sem nada saber como realmente era o trabalho do Grupo, só conhecia os bonecos da TV. Isso que é o bom às vezes, não saber nada sobre o que vai se assistir e se surpreender com tudo.

“Giramundo” é muito mais do que teatro de bonecos, agrada adultos e crianças, colocando cada vez mais à prova o conceito do teatro inteligente e interativo sem mensagens pedagógicas forçadas goela abaixo, porém preocupando-se sim com o conteúdo, a forma lúdica da encenação e mostrando a que veio.

O elenco com dois homens e uma mulher, nesta montagem, mostra que também são bons atores, de forma clownesca, são engraçados e ágeis nos remetendo a boas referências do passado como os “Três Patetas”, por exemplo, porém de forma bem atual.

A história a ser apresentada, “Pedro e o Lobo”, é apenas uma semente atirada a se germinar para o público, pois é rápida, certeira e sucinta, diante da encenação. Eles são lépidos com os fios das marionetes e vão passando de um ator/marionetista para outro e assim por diante, com continuidade de ações e vozes sem perderem o ritmo. Estimulam a curiosidade e a esperteza das crianças com o imprevisível. Difícil saber quem rouba a cena. São eles, ou os bonecos? Já que tudo o que há no espetáculo é despretensioso, fazendo valer a frase que gosto muito – “Menos é mais”.

O bom gosto e o bom senso imperam, ainda bem! Já que o que não falta por aí são infantis Disney fajutos e sem criatividade, pobres em inovação na hora de contar as mesmas histórias. O “Giramundo” brinca o tempo todo e cria recria ininterruptamente tudo, até na hora de apresentar o cenário, e o melhor: deixa o público com gostinho de quero mais, sem grandes produções. Graça e graciosidade distintas e de mãos dadas. Em 2005, o grupo foi responsável pelos bonecos utilizados na minissérie “Hoje é Dia de Maria”, baseada na obra de Carlos Alberto Soffredini e exibida pela Rede Globo.

Veja aqui no site a programação do Festival do Teatro Brasileiro – Cena Mineira.

Conheça mais…www.giramundo.org

Ficha técnica: Direção geral e marionetes: Álvaro Apocalypse, música: Sergei Prokofiev
direção de remontagem: Beatriz Apocalypse, atores marionetistas: Beatriz Apocalypse, Raimundo Neto, Ulisses Tavares, sonorização e iluminação: Marcos Malafaia, Alexandre Galvão.

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