Cinema
Chanchada é tema de especial de cinema no Sesc Campinas
Publicado em 17 de dezembro de 2011

Em dezembro, o Sesc Campinas relembra um dos gêneros cinematográficos que teve seu auge no Brasil entre as décadas de 1930 e 1950: a chanchada. O especial, que ocorre de 20 a 23 de dezembro, conta com exibições das obras “O Jovem Tataravô”, “Onde Estás Felicidade?”, “Nem Sansão nem Dalila” e “O Homem de Sputnik”. A programação é gratuita.

Com elementos da comédia musical misturados aos de filmes policiais e de ficção científica, a chanchada se impôs como um entretenimento de massa na época. Os filmes costumavam ser essencialmente brasileiros, tratando de problemas do cotidiano e fazendo humor com uma linguagem de fácil compreensão. Para conquistar o público, as produções contavam com participações de grandes nomes do rádio como Carmem Miranda e Francisco Alves, mais tarde, os comediantes Oscarito e Grande Otelo se tornariam revelação do gênero.

Confira a programação:

20/12 – “O Jovem Tataravô” (Luiz de Barros, Brasil, 1936, 80’, com)

A trama começa com a aquisição, pelo senhor Eduardo (Darcy Cazarré), de uma “caixa de segredos” que pertenceu a Estácio de Sá. Ali ele encontra um papel em que lê: “Como animar quimicamente os espíritos: segredos adquiridos no Egito, extraídos de um documento encontrado no túmulo de Ramsés II”. Em uma espécie de sessão espírita, ao lado de parentes e amigos incrédulos, Eduardo decide invocar o espírito de seu tataravô Victor Eulálio (Marcel Klass). Para o espanto de todos, este retorna ao mundo dos vivos com os trajes de banho com que havia morrido afogado em 1823. O “jovem tataravô” morreu em 1832, com apenas 35 anos. Agora, em pleno ano de 1936, ele ressurge do seio da terra, não gelado como se poderia imaginar, mas ardente e tropical como se tivesse passado um século dormindo no seio de um vulcão. E coitadas das mulheres – bonitas ou feias – que se viram ao alcance de seus olhos, e mais ainda de suas mãos. O filme é baseado na comédia “O Tataravô”, de Gilberto de Andrade (1926).

De acordo com o crítico de cinema Ricardo Calil, se hoje o filme pode ser visto como uma agradável comédia de costumes que resistiu bem à prova do tempo, ele foi, na época de seu lançamento, em diversos aspectos, uma obra inovadora, para não dizer abusada, pois foi a primeira produção brasileira que contou com a captação de cenas ao ar livre. Além disso, o filme também promove uma inversão de valores, na qual o tataravô é mais avançado que seus colegas “modernos”.

21/12 – “Onde Estás Felicidade?” (Mesquitinha, Brasil, 1939, 86’, fic)

Produção da Cinédia e do pioneiro Adhemar Gonzaga, um dos precursores da industrialização do cinema brasileiro. Baseado em peça teatral homônima de Luís Iglezias, tem em seu elenco Alma Flora, Rodolfo Mayer, Paulo Gracindo, Dircinha Batista, Armando Braga e Grande Otelo (com apenas 23 anos).

No filme, uma cantora casada com um operário ascende socialmente e passa a conviver com a alta sociedade carioca. O melodrama reforça o cunho moralista da época, contrapondo os hábitos e costumes de moradores do subúrbio e da zona sul do Rio de Janeiro.

Vale destacar o trabalho do maestro Radamés Gnatalli, fotografia e câmera de Afrodísio de Castro, som de Hélio Barroso e roteiro e direção do ator Mesquitinha, um dos maiores comediantes da época.

22/12 – “Nem Sansão Nem Dalila” (Carlos Manga, Brasil, 1954, 88’, fic)

A paródia do clássico Sansão e Dalila de Cecil B. DeMille conta com a participação de Oscarito, que interpreta um humilde barbeiro, Horácio. Ao deixar um dos clientes, Chico Sansão, careca, o barbeiro é perseguido e foge para não apanhar. Durante a fuga ele e seu amigo Hélio atravessam uma parede e caem dentro de uma máquina do tempo que está sendo testada nesse mesmo momento pelo seu inventor. 

Os três são transportados para o reino de Gaza muitos anos antes de Cristo. Lá Horácio se torna o poderoso Sansão e se vê às voltas com manobras de poder dos políticos locais que procuram privá-lo de suas forças com os encantos da sedutora Dalila. O filme, que é uma crítica ao autoritarismo e ao populismo político de Getúlio Vargas, tem direção de Carlos Manga, um dos principais cineastas brasileiros, e recebeu diversas premiações como de Melhor Ator para Cyll Farney e Ator Secundário para Wilson Grey.

23/12 – “O Homem do Sputnik” (Carlos Manga, Brasil, 1959, 98’, com)

Em cena, Oscarito é um homem simples que acredita ter sido “alvo” do satélite russo Sputnik. Numa mistura de deboche e situações delirantes, basicamente dentro do clima de Guerra Fria, o personagem é perseguido por agentes dos EUA interessados no tal satélite. Jô Soares faz um espião norte-americano, e Norma Bengell encarna uma versão tupiniquim da musa francesa Brigitte Bardot.

Manga garante que seu “O Homem do Sputnik” (1959) ainda é a maior bilheteria do cinema brasileiro, já que o filme foi visto por 15 milhões de espectadores numa época em que a população do Brasil era de 60 milhões – ou seja, um quarto do país foi aos cinemas ver o longa. O filme é o favorito de Manga entre todos dirigidos por ele. O motivo passa pela política e pela notória ojeriza do diretor com os EUA. “Esse filme demonstra muito da minha expressão política internacional. Nunca fui a favor do americano e me desforrei um pouco nesse trabalho”, dispara. 

Serviço 

Cinema no Sesc: especial Chanchada
Local: Sesc Campinas. Rua Dom José I, 333. Bonfim. (19) 3737-1500
Data: de 20 a 23 de dezembro
Horário: 20 horas
Entrada: gratuita 

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