Cinema
Linguistas e alienígenas “dividem” sala de cinema em Campinas
Publicado em 2 de dezembro de 2016

Por Marina Ortiz

Alunos e professores do curso de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp saíram das salas de aula para as de cinema com a curiosidade aguçada para ver a profissão representada no filme “A Chegada”, longa de ficção científica que conta a história da Dra. Louise Banks (Amy Adams) e seu trabalho de comunicação com ET’s que chegam a terra.

“É a primeira vez na mídia que a figura do linguista aparece como protagonista”, ressalta a professora Mónica Zoppi-Fontana. Calouro no curso, o estudante Felipe Peres conta que compareceu à sessão pela curiosidade em ver a profissão retratada na produção hollywoodiana. “Acho bom, porque populariza o que a gente faz. É difícil você encontrar linguistas nos filmes”, diz.

A produção, indicada ao prêmio Leão de Ouro, tem como trama principal o trabalho, o engajamento e as dificuldades da linguista em se comunicar com os extraterrestres que utilizam símbolos e sons irreconhecíveis na interação com os seres humanos. Por meio de um trabalho de compreensão e alfabetização dos aliens, a linguagem torna-se a peça-chave do filme. Na ficção dirigida por Denis Villeneuve, compete também à linguista dizer se os tais seres de outro mundo oferecem risco à Terra.

“Como linguista, ver uma profissional da área na tela é, de alguma maneira, prazeroso. A gente se identifica, embora essa linguista seja de ficção”, explica a professora Sheila Elias de Oliveira. Para a docente, o filme mostra conceitos importantes da área que são, muitas vezes, desconhecidos pelo público em geral. “São questões muito próprias de quem trabalha com a linguagem, mas achei interessante trazerem isso para a cultura pop”, conta.

Já a crítica da professora Ana Cláudia Fernandes diz respeito aos estereótipos do profissional de linguística na produção, como uma pessoa que possui vasto conhecimento em diversas línguas e a capacidade de decifrar símbolos. “Esses dois estereótipos estão no filme, embora a linguista não fosse só esses estereótipos. Acho que foi um dos primeiros filmes que eu vi que tem uma profissional da área e que traz questões de linguagens muito claras para nós”, afirma.

Para Mónica, o filme consegue mostrar, entre outros conceitos, que “não é a logica que constrói a comunicação”, algo bastante trabalhado pela Linguística. Por se tratar de um filme de ficção científica, um aspecto que surpreende não só os linguistas, mas também se mostra presente nas críticas do público sobre o longa está o fato de que, nas produções do gênero, em geral, são apresentados argumentos científicos das áreas de exatas ou de biológicas para construir o enredo, o que não acontece em “A Chegada”.

O principal argumento da produção se dá no entendimento de uma linguagem criando uma justificativa alternativa às produções mais conhecidas. “O que eu acho interessante também é que se trata de uma figura feminina, né? Não é somente a profissão do linguista, mas é uma linguista”, ressalta Mónica.

Veja sinopse do filme e programação nos cinemas de Campinas.

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