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Cultura

Cortejo teatral em Campinas “O Auto de Elesbão” resgata parte da história da cidade

Publicado em 9 de dezembro de 2016

Neste sábado, 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos, a região central de Campinas será ocupada por um coletivo de artistas, cerca de 150 pessoas, para a encenação de “O Auto de Elesbão”, espetáculo baseado no livro do pesquisador Valdir Oliveira.

A partir das 17h30, o auto, em forma de cortejo teatral, percorrerá a Praça Bento Quirino, no Centro, até o Largo Santa Cruz, no Cambuí, narrando a história da cidade de Campinas e de Elesbão, o primeiro escravizado enforcado e decapitado abrindo o precedente para enforcamentos públicos na cidade.

O cortejo contará, por meio de narrações, encenação, dança e música, a história da cidade e o julgamento, condenação e execução do jovem escravizado Elesbão.

Para contar a saga, 80 alunos do curso de teatro da Rede Usina Geradora e Estação Cultura, com idade entre 14 e 60 anos, interpretarão os principais personagens da história. Grupos de cultura popular tradicional também vão fazer parte do cortejo e irão desempenhar papéis importantes na narrativa.

O autor da obra, Valdir Oliveira , durante sete anos pesquisou todo o processo de condenação no Arquivo do Tribunal de Justiça, que faz parte do acervo do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O escravizado Elesbão foi condenado por assassinato do capitão Luiz José de Oliveira, dono do Engenho Romão, terras entre a Vila de Jundiaí e a estrada que seguia para Itu. No ato teriam participado escravizados fugidos da fazenda do capitão que viviam em um quilombo para os lados de Belém (atual Itatiba).

Elesbão, um adolescente, foi considerado o responsável pelo crime apesar de, até o momento da morte, ter jurado inocência. No dia do crime, ele foi detido e levado para São Paulo, juntamente com Narciso, outro escravo, e ambos fugiram da cadeia.

Narciso foi recapturado e enforcado em São Paulo no ano de 1833. Elesbão voltou para Campinas e viveu escondido no Engenho Romão até 1835, quando foi capturado por capitães do mato e só então sentenciado à pena de morte. Ele foi levado da Praça Bento Quirino (onde ficava a cadeia) em um cortejo até o Largo Santa Cruz, onde a primeira forca da cidade foi instalada. A sentença determinou que sua cabeça fosse enviada para Jundiaí, e as mãos ficassem expostas em postes instalados em locais públicos para servir de exemplo.

Havia uma determinação do imperador D. Pedro I para que as forcas fossem erguidas dois dias antes do cumprimento da sentença e retiradas dois dias depois. Em Campinas, ela permaneceu na praça até 1848, servindo a uma série de enforcamentos e depois transferida para o Campo da Alegria (hoje, Praça Sílvia Simões Magro — Largo São Benedito), onde permaneceu por alguns anos, até que numa noite foi incendiada por parte da população, que se mobilizou em uma campanha para acabar com os enforcamentos na cidade.

Serviço:

Cortejo teatral: “O Auto de Elesbão”
Local: início na Praça Bento Quirino, R. Barão de Jaguara com Av. Bejamin Constant, Centro, até o Largo Santa Cruz, na Rua Santa Cruz, Cambuí – Campinas
Data: 10 de dezembro
Horário: a partir das 17h30
Aberto ao público 

Fonte: assessoria de imprensa

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