Cultura
Comemorando 25 anos de carreira, Murilo Rosa encara o desafio de cantar as trilhas sonoras de seus personagens
Publicado em 20 de julho de 2018

Conhecido nas telas da televisão brasileira, o ator Murilo Rosa está completando 25 anos de carreira e escolheu celebrar de uma forma diferente: decidiu montar um espetáculo, denominado “Entusiasmo”, cantando algumas das trilhas sonoras que marcaram sua vida e os principais personagens que viveu no teatro, na televisão e no cinema. A estreia nacional ocorre em Campinas, nos dias 21 e 22 de julho, no teatro Iguatemi.

“Entusiasmo” nasceu da vontade do ator de homenagear seus personagens.  Segundo ele, isso tinha de acontecer de uma forma desafiadora. Acompanhado ao vivo pela banda formada por Felipe Duram (diretor e produtor musical), Thiago Iacanga (guitarras), Hugo Batera (bateria), Ricardo Fogo (baixo) e Jonatas Mancuzo (teclado), Murilo relembra, pela música, as emoções e as sensações de variados personagens aos quais deu vida.

O espetáculo fala da paixão e amor da profissão. Até onde vai o ator, até onde vai o personagem.“Existe uma curiosidade do público em relação a essa mistura. As pessoas sempre me perguntam como é o beijo, como é fazer um personagem capaz de fazer coisas horríveis, como é uma cena de amor, como é fazer comédia. Eu conto como é essa loucura saudável”, disse Rosa em entrevista coletiva em Campinas, poucos dias antes da estreia de “Entusiamo”.

Para ele, entre os momentos mais importantes nessa trajetória é justamente sair da zona de conforto. “Isso é o legal da profissão, e é exatamente o que estou fazendo nesse espetáculo. O ator está em um universo em que deve transitar, entre a dança, o canto e a atuação”.

A ideia de começar as apresentações no interior de São Paulo surgiu da relação muito forte que o ator diz ter com o interior. “Já tive muitas experiências positivas aqui. Quisemos começar por um lugar que tivéssemos uma identificação, e Campinas é uma cidade grande, uma cidade forte, é um bonito lugar para esse começo” explicou. O espetáculo deve seguir para outras cidades do estado.

As músicas

As músicas que compõem o repertório foram escolhidas pelo próprio Murilo, que buscou misturar a experiência do personagem e do ator, com dinâmica e leveza. “Foi difícil escolher as trilhas sonoras porque são muitos personagens marcantes, então eu procurei criar uma liga entre as trilhas para que elas conversem entre si”, explicou. Entre elas, ele destaca “Blowin’ in the wind”, de Bob Dylan.

O ator diz acreditar que o desafio é cantar pra valer, e que o espetáculo não é de malabarismo vocal nem físico, mas um espetáculo em que se passeia por lugares em que as músicas vão preenchendo os personagens. “Eu escolhi músicas que falam de coisas positivas. Fiz aula de canto, ensaiei com a banda, mas é um processo de decisões solitárias, o processo do ator é muito pessoal. É um texto que vem da minha cabeça, mas tudo foi muito bem pensado”.

A direção e produção musical do espetáculo é de Felipe Duram, autor de músicas que também estão no repertório.

“Entusiasmo”

O nome do espetáculo foi tirado de uma frase escrita em um quadro que Murilo Rosa ganhou do pai: “Filhão, tudo que você fez na sua vida até hoje foi com muito entusiasmo, por isso que o sucesso está sempre ao seu lado.” E, de fato, Murilo sempre se achou uma pessoa entusiasmada.

“Todo personagem tem um DNA, uma essência, que se define antes mesmo do nascimento e ganha força conforme cria vida. Mesmo quando termina o trabalho, o personagem quer continuar sua trajetória ali, lado a lado com você. Assim, ator e personagem são uma nítida mistura de realidade e ficção, a ponto de chegar um momento no qual você não sabe mais onde acaba o seu braço e onde começa a mão dele. O ator ora domina ora é dominado pelos personagens que criou”, define.

Começo

Murilo Rosa nasceu em Brasília, no Distrito Federal. Antes de ingressar na carreira de ator, foi atleta e representou o Brasil na Copa do Mundo de Taekwondo, em Madri, e medalhista no Campeonato Mundial Universitário em Santander.

Ainda em Brasília, trocou a Faculdade de Educação Física pela de Artes Cênicas. Em 1992, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde, um ano depois, estreou duas peças teatrais simultaneamente: “A gente não tem cara de babaca” e “O Diamante do Grão Mogol”, sob a direção de Maria Clara Machado.

Já na televisão, sua primeira novela foi “Uma Onda no Ar”, da Rede Manchete. Murilo foi para a TV Globo em 1998 para fazer a minissérie “Chiquinha Gonzaga”, e no cinema, estreou com “Uma vida dividida”, em 1995.

No processo de montagem do espetáculo “Entusiasmo”, o ator queria homenagear os personagens que viveu.“Na minha prova final da escola de teatro, fiz uma adaptação de um monólogo da peça “Os seis personagens a procura de um autor”, um espetáculo que mostrava a necessidade do personagem querer conduzir sua própria trajetória. Talvez inconscientemente eu esteja homenageando minha carreira, lembrando daquele início”.

Foto acima: Murilo Rosa e Felipe Duram em entrevista coletiva em Campinas

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