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Cultura

FMCB: uma história sobre a música contemporânea brasileira

Publicado em 25 de março de 2019

O Festival de Música Contemporânea Brasileira – FMCB, que chegou à 6ª edição em 2019 e ocorre de 26 a 30 de março em Campinas (veja a programação), é um evento que tem como objetivo a valorização da música nacional por meio da homenagem a dois compositores brasileiros vivos a cada edição.

O projeto nasceu em 2014, a partir da pesquisa de doutorado da pianista Thais Nicolau, hoje responsável pela direção geral. Desde então, o evento ocorre anualmente em Campinas, e se destaca por unir pesquisa à performance e também por contar com a presença dos compositores homenageados durante todo o evento, oferecendo uma oportunidade única de interação entre artistas, compositores, pesquisadores, universidade e comunidade em geral.

Em 2019, o Festival homenageia dois dos mais importantes compositores brasileiros: Ernani Aguiar e Guinga.

Formato consolidado

Chegando em sua 6ª edição, com realizações anuais ininterruptas, o Festival de Música Contemporânea Brasileira traz um formato consolidado e aprovado por toda a comunidade. Veja a seguir como está estruturada a programação do FMCB.

• Dia 1: Oficina de música para crianças no Centro Infantil Boldrini (contrapartida social)
• Dia 2: Concerto de abertura e bate-papo com os compositores homenageados
• Dias 3 e 4: Homenagens aos compositores por meio de comunicações orais, mesas-redondas, apresentações artísticas e concertos comentados pelos compositores homenageados.
• Dia 5: Concerto de encerramento com a Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, com comentários dos compositores homenageados e entrega dos prêmios destaque da edição atual.

O concerto de abertura seguido de bate-papo com os homenageados e dois recitais comentados por eles compõem uma parte da programação que permite uma imersão guiada pelos próprios criadores das obras. O bate-papo durante a abertura é um momento de poder fazer perguntas diretamente aos compositores e os recitais comentados são oportunidades de ouvi-los falar sobre suas próprias composições, quando revelam informações às vezes desconhecidas, como o momento que estavam vivendo quando escreveram a obra, o que serviu de inspiração e eventualmente quais características mais técnicas fazem parte do processo composicional. No concerto de encerramento, que ocorre no Teatro Municipal “José de Castro Mendes” sempre com a participação especial da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas, os homenageados retornam à cena e falam brevemente sobre as obras executadas.

As demais atividades se concentram no Instituto CPFL e no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A programação completa inclui palestras, mesas-redondas, os recitais e concertos que visitam as obras dos homenageados e as comunicações orais com análises sobre suas peças e estilos. Neste ambiente genuíno, o evento proporciona a interação entre compositores, músicos, pesquisadores do Brasil e de outros países, e público, incentivando, por meio deste contato, tanto a produção de mais pesquisas acadêmicas na área quanto o desenvolvimento de apresentações artísticas pelo mundo.

Cada atividade tem sua particularidade oferecendo uma grande troca de experiência. As comunicações orais, por exemplo, apresentam os artigos e trabalhos acadêmicos selecionados por um comitê científico. Nesta programação, os pesquisadores apresentam o resultado de seus estudos e pesquisas sobre os homenageados. Já as apresentações artísticas, mostram a execução dos trabalhos selecionados, com a presença dos compositores, apresentando assim novas interpretações da obra ao criador. É também uma atividade que abre espaço para a divulgação e performances de obras inéditas destes compositores ou até então pouco tocadas. Por fim, a mesa redonda reúne convidados e especialistas, que irão discutir mais aspectos sobre a vida e obra dos homenageados, e o público pode novamente interagir e fazer perguntas sobre os temas discutidos.

Oportunidade para que pesquisadores e músicos de todo o país possam se apresentar

Um dos destaques do FMCB é a chamada a pesquisadores e músicos, a qual cria a oportunidade de que pessoas de todo o país e até mesmo de outros países participem do Festival, pois a cada edição é feita uma chamada pública para o envio de propostas. A seleção é feita por meio de um criterioso processo conduzido por um comitê científico especializado e os selecionados são convidados a se apresentarem no Festival e também a publicarem seus trabalhos nos anais que são editados a cada edição.

Contrapartidas Socioambientais

Outro destaque do FMCB são as também já consolidadas contrapartidas socioambientais. Além de plantar sorrisos e auxiliar na cura dos pacientes no Centro Infantil Boldrini, o FMCB também contribui para a conscientização e a preservação ambiental, por meio da distribuição de mudas de árvores nativas do Brasil.

Vídeos e registros disponibilizados gratuitamente

Uma das características do FMCB é o registro fotográfico e audiovisual de todas as atividades e disponibilização do acervo de forma gratuita à comunidade, contribuindo desta forma para a democratização da música contemporânea brasileira. Além disso, a cada edição também são publicados no site do FMCB os anais contendo os programas das apresentações artísticas e os artigos das comunicações orais selecionadas.

Prêmios conquistados

A excelência na realização das cinco primeiras edições do FMCB levou o Grupo Sintonize a ser selecionado, no ano de 2018, como a melhor produtora de eventos pelo Prêmio Profissionais da Música / Music Pro Award. No mesmo ano, o projeto visual do FMCB levou o designer Fernando Marar ao leão de prata no Festival Internacional Cannes Lions de Criatividade 2018, na categoria Design. O trabalho Made of Music, realizado junto ao Hermeto Pascoal, também levou sete prêmio no El Ojo.

FMCB em números

6 edições
29 dias de programações gratuitas e abertas a todo o público
12 compositores brasileiros homenageados
17 concertos comentados pelos compositores homenageados
12 mesas-redondas
5 bate-papos com os compositores
6 mostras musicais beneficentes
5 apresentações da orquestra
5 anais publicados
161 vídeos disponibilizados gratuitamente no youtube
796 músicos participantes

Histórico

O projeto nasceu em 2014, a partir da pesquisa de doutorado da pianista Thais Nicolau, hoje responsável pela direção geral do FMCB. O primeiro festival foi realizado no mesmo ano com homenagens aos compositores Edmundo Villani-Côrtes e Ricardo Tacuchian. De lá pra cá, o evento mantém a estrutura e originalidade de sua proposta conceitual precursora.

Para Tacuchian, o evento promoveu uma grande inovação: a realização de atividades acadêmicas ao lado de recitais de alto nível. “Antes os encontros eram predominantemente acadêmicos (congressos) ou predominantemente performáticos. O Festival de Música Contemporânea Brasileira de Campinas quebrou estes paradigmas”, pontua.

Tacuchian enfatiza ainda que o formato pioneiro do FMCB mostrou a importância de levar para o interior um evento deste porte. “Talvez, um Festival desta natureza em centros fora do eixo habitual de música contemporânea seja mais importante que os demais. Campinas deve servir de emulação para outros centros urbanos”, enfatiza.

O secretário de Cultura de Campinas, Ney Carrasco, que integra o Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp, também reforça o importante legado do FMCB. “Além de inserir a comunidade na universidade, o festival reúne duas faces: por um lado, a pesquisa acadêmica e, por outro, a produção artística”, define.

Em 2015, o Festival rendeu homenagens a outros dois grandes nomes da música brasileira: Gilberto Mendes e Edino Krieger, e, em 2016, se debruçou sobre o trabalho dos compositores Ronaldo Miranda e Paulo Costa Lima.

Desde a primeira edição, o evento também traz uma contrapartida social: uma mostra musical oferecida às crianças e adolescentes em tratamento de câncer no Centro Infantil Boldrini, em Campinas.

Para Ronaldo Miranda, homenageado da última edição, o Festival é hoje um evento de grande importância para a cultura do país. Segundo ele, compositores contemporâneos têm, em geral, poucos meios de veiculação de suas obras, nem sempre possíveis nas temporadas de concertos. “Tive a honra de ter sido homenageado em 2016, ao lado de meu colega Paulo Costa Lima. E o resultado foi maravilhoso. O festival apresentou os mais variados intérpretes executando uma parcela expressiva da minha produção instrumental e vocal, com obras solo e de câmera e duas peças sinfônicas de minha autoria foram executadas pela Orquestra de Campinas”, ressalta.

Neste contexto, em pouco tempo o Festival se tornou referência como importante meio de difusão da pesquisa e performance da música brasileira. Para Miranda essa é mais uma contribuição: a de propagação da música pelo país e pelo mundo, através da participação de artistas e musicólogos do Brasil e do exterior. “A difusão pela internet é imediata”, reforça. Desta forma, a captação audiovisual de todo evento, para veiculação posterior via tv e online e sua disponibilização gratuita contribuem para formação de um rico acervo à cultura nacional imaterial da música contemporânea brasileira.

Em 2017, homenageou os compositores Hermeto Pascoal e Edson Zampronha, e na quinta edição, prestigiou Egberto Gismonti e Marisa Rezende.

Em suas edições anteriores, o Festival recebeu professores, pesquisadores e alunos de diversas escolas, institutos e universidades, representando mais de 16 estados brasileiros e 6 países.

Fonte: assessoria de imprensa

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